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Newsletter N.º 225 / 14 de Novembro de 2025
Direcção Mafalda Ferro Edição Fundação António Quadros

ÍNDICE

01 — Biografia resumida de António Ferro, capítulo V (1947-1956), por Mafalda Ferro

02 — O Secretariado da Propaganda Nacional — SPN / Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo — SNI, dirigido por António Ferro, por Mafalda Ferro

03 — Depois da morte de António Ferro (1956-1974), por Mafalda Ferro

04 — Sobre Partir Sem Rumo — acerca do centenário da primeira representação de Náufragos, em 1925, por António Coito

05 — Na Morte de Fernando Pessoa. Memória

06 — Livraria António Quadros, Obra em Promoção até 14 de Dezembro de 2025: António Ferro. Espaço Político e Imaginário Social (1918-32). [1.ª edição], de Ernesto Castro Leal

 

EDITORIAL,
por Mafalda Ferro

   Lembrando, muito especialmente, António Ferro, nascido a 17 de Agosto de 1895  há 130 anos, informamos que, em sua homenagem, está em curso a finalização de três obras literárias que ajudarão a melhor conhecer o Poeta de Acção que foi António Ferro.

 A primeira, a que hoje divulgamos, "Quando António Ferro sonhava, a obra nascia. Ensaios e outros textos", para publicação em 2025, inclui ensaios e textos de Anabela Almeida, António Braz Teixeira, António Ferro, António Quadros, António Xavier, Augusto d'Esaguy, Cândida Cadavez, Carla Patrícia Ribeiro, Fernando de Moraes Gebra, Fernando Guedes, Fernando Telles de Castro Ferro, Filomena Serra, Francisco Manuel Homem Christo Filho, Gelu Savonea, Guilherme d'Oliveira Martins, Jaime Nogueira Pinto, José Carlos Seabra Pereira, José Guilherme Victorino, Leonídio Paulo Ferreira, Lúcio Alcântara, Luís de Oliveira Guimarães, Luís Leal Pinto, Mafalda Ferro, Manuela Parreira da Silva, Margarida Cunha Belém, Margarida Magalhães Ramalho, Maria Barthez, Maria João Castro, Maurícia Teles da Silva, Paulo Ribeiro Baptista, Ricardo Vieira Lisboa, Teresa Rita Lopes, Tiago Bartolomeu Costa e Vasco Afonso.

Com concepção e coordenação de Mafalda Ferro, a edição publica o prefácio "Fechado o ciclo de uma Vida Humana", de António Quadros.

A Fundação António Quadros, guardiã do acervo e da memória de António Ferro, decidiu ser esta publicação a forma mais eficaz de dar a conhecer a sua vida e a sua obra.

Contámos com a participação de dezenas de estudiosos portugueses e estrangeiros que produziram ensaios/textos sobre projectos que António Ferro, com grande empenhamento e entusiasmo, sonhou, concretizou, dinamizou, dirigiu ou sobre os quais escreveu.

A estes ensaios de autores vivos, juntámos um conjunto de textos de autores já desaparecidos que com António Ferro privaram e, ainda, alguns textos do próprio Ferro, dando assim a conhecer o pensamento, a acção e a obra do nosso homenageado.

 

01 — Biografia resumida de António Ferro, capítulo V (1947-1956), 
por Mafalda Ferro

 

[Publicamos no mês da morte de António Ferro, a última parte da sua biografia cronológica, tão resumida quanto possível,
com alguma informação menos conhecida]

 

1947

No dia 2 de Abril, Fernanda de Castro escreveu a Salazar solicitando-lhe a transferência do marido para Paris, cidade que este considerava a sua segunda pátria, referindo o seu cansaço, problemas de saúde e o seu desejo em se dedicar de novo à escrita. Salazar não se faz esperar; responde-lhe no dia seguinte informando muito delicadamente que concorda com a transferência mas sugerindo, em alternativa, Berna ou Buenos Aires. A 7 de Abril, Fernanda de Castro também ela simpática mas firmemente escreve lembrando que Caeiro da Mata havia afirmado ao marido que se um dia tornasse a ser Ministro dos Negócios Estrangeiros o nomearia para Paris.

No dia 18 de Abril, morre Augusto Cunha, um dos seus maiores e mais antigos amigos (desde 1910) que, além de seu advogado, era seu cunhado. Em Novembro, o SNI, até então instalado em São Pedro de Alcântara, é transferido para o Palácio Foz.

No mesmo mês, é convidado para sócio-correspondente da Sociedade Brasileira de Folclore (SBF). [a sua filiação aparece nos Estatutos da entidade, na edição de 1949]

Ainda no mesmo mês, a Comissão Executiva do I Congresso Luso-Brasileiro de Folclore reúne no SNI para a sessão de encerramento dos trabalhos da conferência preparatória do Congresso. [informação partilhada em 2018, pelo investigador Francisco Sales Neto, em nome do Instituto Câmara Cascudo, no Brasil, quando, em 2018, solicitou o apoio da Fundação António Quadros (Fundação) para reconstituir a visita de Câmara Cascudo a Portugal]

No mesmo ano, o governo espanhol entrega-lhe formalmente o seu retrato, obra do pintor espanhol Enrique Segura. A tela pode ser apreciada, ainda hoje, no salão nobre do Círculo Eça de Queiroz, em Lisboa.

 

1948

Apesar de conhecer já o seu destino e a sua iminente partida para Berna, Ferro não abrandou: publica Catorze Anos da Política do Espírito, Apontamentos para uma Exposição; inicia a colecção “Política do Espírito” cujo último volume seria publicado em 1950; angaria fundos e cria condições para a instituição e instalação de uma cinemateca portuguesa (hoje, Cinemateca Nacional) que, integrada na estrutura do SNI, é criada com o objectivo de reunir e tratar o acervo produzido pelo SPN/SNI. Entrega a sua direcção a Manuel Félix Ribeiro.

Em Março, abre a Pousada de São Lourenço, em Manteigas, na Serra da Estrela sob o projecto do arquitecto Rogério de Azevedo. Os interiores da Pousada são decorados por Maria Keil. É a 7.ª Pousada do SPN/SNI criada por sua iniciativa, já que havia anteriormente inaugurado “Santa Luzia”, perto de Elvas, no dia 19 de Abril de 1942; “S. Gonçalo”, na Serra do Marão, no dia 29 de Agosto de 1942; “Santo António”, no Vale do Vouga, no dia 24 de Setembro de 1942; “S. Martinho do Porto”, no dia 25 de Agosto de 1943; “São Brás de Alportel”, no Algarve, no dia 11 de Abril de 1944; “Santiago do Cacém”, no dia 10 de Fevereiro de 1945.

Em Maio, realiza-se no Porto a 4.ª Exposição de Arte Moderna dos Artistas do Norte, tendo sido criados pelo SNI para o Salão dos artistas Modernos do Norte os Prémios “António Carneiro” (pintura a óleo), “Armando Basto” (pintura a óleo), “Teixeira Lopes” (escultura), “Henrique Pousão” (aguarela e guache) e “Marques de Oliveira” (desenho).

António Ferro concretiza um dos seus maiores sonhos e cria de raiz o Museu de Arte Popular (que tão mal tratado e ignorado tem sido até hoje) que inaugura no dia 15 de Julho, dedicado “Ao Povo Português – Autor deste Museu”, reunindo uma colecção de milhares de peças de artesanato recolhidas em todo o país, a murais pintados por Carlos Botelho, Eduardo Anahory, Estrela Faria, Manuel Lapa, e Paulo Ferreira. O seu espólio continua, 77 anos depois, sem qualquer explicação plausível, fora do museu, longe dos olhos dos seus visitantes.

Muito se tem dito sobre a relação de António Ferro com o fado e, até, sobre a sua falta de visão quando referiu “Amália nunca será uma artista internacional” mas, apesar disso, reconhece o talento da fadista quando lhe entrega o Prémio do SNI para a Melhor Actriz do Ano pelo seu desempenho no filme "Fado, História de uma Cantadeira" e quando, no ano seguinte, a seu convite, Amália actua em Paris, no “Chez Carrère” e em Londres no “Ritz” em festas do departamento de Turismo por si organizadas. A amizade entre Amália Rodrigues e sua mulher, Fernanda de Castro, mantém-se indestrutível até ao último dia de vida da poetisa, em Dezembro de 1994.

 

1949

No dia 6 de Maio, inaugura no Palácio Foz o XIII Salão de Arte Moderna  (expondo a obra retrospectiva dos anteriormente galardoados com os prémios artísticos do SNI, entre outros, Mário Eloy, António Soares, Dórdio Gomes, Jorge Barradas, Sarah Afonso, Carlos Botelho, Eduardo Viana, Almada Negreiros, Frederico George, Maria Keil, António Dacosta, Manuel Bentes, Ofélia Marques, Paulo Ferreira, António Cruz, Tom, Manuel Lapa, Álvaro de Brée, António Duarte, Martins Correia, João Fragoso, Canto da Maya, Barata Feyo) e, dias depos (dia 12), o I Salão de Artes Decorativas. No dia 29 de Novembro, preside ainda à atribuição dos recém-criados Prémios de Arte Dramática para as Sociedades de Recreio.

Em Novembro (dia 6) inaugura o Posto Turístico de Gaia. Publica as colecções “Grandes Portugueses” e “Grandes Portuguesas” (os dois primeiros números, “Infanta D. Maria” e “A Rainha D. Leonor”, escritos por Teresa Leitão de Barros, com ilustrações de Inês Guerreiro. [também elas, duas grandes portuguesas]

Nos dias 9/19 de Junho, os Verde Gaio actuam em Paris, no Théâtre des Champs-Elysées, no que se reconheceu ser um dos momentos mais marcantes da sua carreira.

No dia seguinte à publicação do respectivo decreto no Diário de Governo, o Diário de Notícias revela que António Ferro acaba de ser nomeado para o posto diplomático de Ministro de 1.ª classe, colocado na Legação de Portugal em Berna, na vaga deixada em aberto por César Sousa Mendes que havia atingido o limite de idade. Refere-se ainda que António Ferro ocupará os seus actuais cargos até ao final de 1949. António Ferro é envolvido numa onda de amizade por parte da família, de amigos e colaboradores que, na sua maioria, não entendem e lamentam a sua transferência.

Realiza-se, no dia 11 de Dezembro, no Teatro de S. Carlos, o primeiro concerto do Gabinete de Estudos Musicais, por ele criado na Emissora Nacional, encomendando, para esse fim, obras a compositores de música popular e erudita.

 

1950-1953

   Ainda em Lisboa, António Ferro continua a ser alvo de múltiplas homenagens e festas de despedida organizadas por Instituições e particulares dos quais, a título de exemplo, se menciona que, no dia 4 de Janeiro, um cocktail de despedida em sua honra reuniu personalidades como o Rei Umberto de Itália, Ruy Coelho, Princesa de Broglie, Genoveva de Lima Ulrich (Veva de Lima), Condessa de São Mamede, Maria do Carmo de Lima Mayer, Condes de Mafra, Maria de Carvalhosa, Heloísa Cid, Maria Benedita de Castro Pereira Ulrich, Maria Isabel e Júlio Dantas, Viscondes de Carnaxide, Inês Guerreiro, entre muitos outros; e, no dia seguinte, num segundo cocktail, Pietro de Paoli, ministro da Itália, Buttingha Wichers, Ministro da Dinamarca, António Lopes Ribeiro, Ruth Walden, Francis Graça, Carlos e Beatriz Botelho, Mário Santa Rita, Tomaz de Mello, Virgínia de Mello, Cármen Silva Graça, Isabel Maria Galvão Teles, Maria da Graça de Paço d’Arcos, Paulo Cunha, Joaquim Paço d’Arcos, Quirino da Fonseca, Marie Hourcade, Odete Grasset, Diogo de Macedo e mulher, Álvaro de Brée, Milli Caeiro da Matta Veiga, António e Minda de Cértima, Condes de Vinhais, António e Maria Narcisa de Menezes, Paulina Roquette Ferro, Maria Helena Felner da Costa, José Osório de Oliveira, Umbelina Ferro da Cunha e seu filho Pedro, Janine Carvalho, António Quadros, Maria Helena Ferro da Cunha, entre muitos outros.

No dia 17 de Fevereiro, já em Berna, António Ferro toma posse como Ministro de Portugal na Suíça onde é recebido de braços abertos. De imediato, a sua vida se transforma numa rápida sucessão de recepções, almoços, jantares, bailes, cocktails, idas ao cinema, ao teatro e a concertos e, também, de passeios turísticos por todas as cidades e aldeias suíças nas quais tudo se repete. Guardar os menus dos almoços e dos jantares que nos oferecem. é conservar-lhes o sabor… [António Ferro, 1950, no seu álbum de recordações da Suíça]

Na Suíça, tenta continuar a dar vida a muitos dos seus sonhos mas, em Abril, depois de viajar pelo país e conhecer grande parte das suas cidades, escreve num dos seus álbuns: Outra vez em Berna, outra vez as arcadas, as fontes coloridas [...] outra vez a minha confortável solidão, esplêndida e melancólica...

No dia 4 de Junho de 1950 depois de assistir ao Grande Prémio de motas e automóveis, escreveu: Nunca me aborreci tanto, nem na “Grand Societé...

 

É tempo, talvez, de falar um pouco de Berna e do que se passou durante os anos em que lá estivemos. Por causa dos Parques Infantis e sobretudo por razões de economia (as verbas eram pequenas e a vida em Berna muito cara), eu andava cá e lá, mas estava sempre na Legação em Junho, época das recepções e sobretudo do Dia de Portugal, em que o António tinha de receber os portugueses residentes na Suíça. No Natal estávamos sempre em Lisboa para nos reunirmos com a família, o António tinha as suas férias em Agosto e eu ia com ele, conservando-me em Berna pelo menos três meses. […]

Quando penso no tempo que passei na Suíça, verifico, com espanto, que não guardo dessa época uma única recordação má.

Berna é uma cidade linda, sobretudo a parte medieval, com as suas fontes, as suas velhas casas e as suas arcadas que nos protegem da chuva ou da neve, conforme as estações. Além de vários e bem tratados jardins, a dois passos da nossa casa havia um lindo parque (o Teer Park) onde os esquilos e os gamos nos vinham comer à mão. […]

Logo que cheguei a Berna, o António, com um ar sério, meteu-me na mão um folheto, ou antes, uma pequena brochura, dizendo-me: – Estão aqui os nomes de todos os ministros e de todos os embaixadores actualmente acreditados na Suíça. Trata de decorar os seus nomes, pois a única coisa que uma pessoa – sobretudo um diplomata – não perdoa é que lhe ignorem o nome e a posição social.

Eu fiquei aterrada. Para bem da humanidade mas para mal dos meus pecados, a Suíça é o país neutro por excelência, de modo que mantém relações diplomáticas e amistosas com todos os países do mundo.

Imaginem pois como seria fácil decorar, e ainda por cima com uma pronúncia pelo menos aproximada, o nome dos ministros e dos embaixadores, por exemplo, da Tailândia, do Japão, da Bulgária, da Islândia, etc., etc.[…]

A Suíça é o país mais ordeiro, mais pacífico do mundo, mas não direi que seja o mais alegre nem talvez mesmo o mais amável, a não ser que consigamos penetrar na sua intimidade, o que, na opinião de todos os diplomatas, não é muito fácil nem é muito frequente. O António, porém, teve sorte – digo sorte para facilitar –, mas o que na verdade ele tinha era um interesse muito sincero por tudo o que o rodeava, não se contentando com as primeiras impressões e procurando sempre o que estava no fundo, no mais íntimo das pessoas. Assim, por exemplo, não se limitou a conviver com os diplomatas seus colegas, como faziam tantos, procurando e conseguindo que a nossa casa fosse frequentada por jornalistas, escritores, artistas, numa palavra, por toda a elite de Berna, que, quando ele foi nomeado para Roma, lhe deu provas inequívocas da sua estima e do seu apreço: convites, presentes, homenagens, etc.

Receio estar a estender-me demasiado nestas páginas dedicadas à Suíça, mas esses anos foram os últimos em que o António se sentiu feliz. […]

Fernanda de Castro,

Em Memórias (1906-1939). Lisboa: Fundação António Quadros, 2024.

 

No dia 22 de Setembro de 1951, patente até 10 de Outubro, organizou a exposição de Carlos Botelho “Lisbonne aux mille couleurs”.

Em Berna, a sua vida era calma, sem sobressaltos, continuava a promover grandes nomes da cultura portuguesa e estrangeira, de visita à Suíça, ou a seu convite como Amália Rodrigues, Júlio Dantas, Christine Garnier, Gonzague Reynolds, Augusto Pinto ou o filósofo, dramaturgo e compositor francês Gabriel Marcel que convidou para proferir a conferência “Le Diable et le Bon Dieu”, realizada na Legação de Portugal no dia 28 de Janeiro de 1952. Ainda nesse ano, a 30 de Maio, promoveu na Legação “Un soir au Portugal” na qual inaugurou a “Casa Portuguesa” decorada por Paulo Ferreira.

 

8 de Janeiro de 1953: Sempre que me levanto para trabalhar, tenho de me reconstituir, lentamente, imagem a imagem, passo a passo, olhar a olhar … Sou o puzzle de mim próprio. E vivo ou morro (viver é morrer pouco a pouco …) com a impressão de que vou perdendo, hora a hora, pedaços desse puzzle … Um dia já nem sei como era o desenho.

Excerto de “Diário Íntimo”, inédito de António Ferro. [FAQ/04/0966]

 

No dia 23 Janeiro, foi acordado de madrugada por uma chamada telefónica através da qual recebeu a tristíssima notícia da morte de seu pai, António Joaquim Ferro, já com 93 anos. A sua mãe, Helena Emília Tavares Afonso Ferro havia morrido sete anos antes.

 

Meu bom amigo

Acabo de chegar do funeral de seu pai e venho exprimir-lhe, antes de mais nada, a minha mágoa pelo seu desgosto que a distância e a impossibilidade de aqui chegar a tempo, tanto devem ter agravado.

Penso em si com sincera amizade nesta hora de provação. Basta-lhe a consolação de que o seu Pai teve uma longa e honrada vida e pôde até ao final, sentir-se orgulhoso do filho.

Abraço-o de longe com muita amizade,

seu dedicado Joaquim Paço d’Arcos 24 de Janeiro de 1953 

[FAQ/01/0341/00004]

 

Reunia em álbuns fotografias, programas, recortes, ementas, prospectos de hotéis, de concertos… e registava as suas memórias, viagens e emoções em cadernos, folhas e bilhetes.

 

1954-1956

Em Genebra, no dia 23 Março de 1954, o «Circle de la Press et des Amitiées Étrangères” (Círculo da Imprensa e das Amizades Estrangeiras) organiza, em vésperas da sua partida para Roma, um porto de honra no Hotel Candolle, inaugurando a exposição “Couleurs et Reflets du Portugal” de Paulo Ferreira; nesse dia, Ferro presta homenagem a Gonsague de Reynold no Museu de Arte e História. No dia 26 de Março, por ocasião da notícia da sua transferência para Roma, Henri Martin presta-lhe homenagem também no Museu de Arte e História de Genebra.

A partir de Abril, passa a exercer as funções de Ministro de Portugal em Roma. Acompanha-o o seu sobrinho, Pedro Ferro da Cunha, amigo, companheiro e leal colaborador.

De 21 a 27 de Junho, em Florença, em representação de Portugal, participa com mais 41 nações, no II Congresso “Per la Pace e Civilta Cristiani” sob o tema desse ano: “Preghiera e poesia” (“Oração e Poesia”).

 

Meu querido António

Conseguiste chegar a Roma, entrar no meu coração e atenuar a minha solidão. Desconto evidentemente o exagero filial, a tua compreensão do calor humano que me falta neste deserto cheio de gente mas ainda fica alguma coisa que transcende todas as circunstâncias… […]

Excerto de carta que não chegou a enviar a seu filho, António. Roma, 1954 [FAQ/01/0548/00001]

 

Embora Fernanda de Castro, nunca se viesse a sentir bem no papel de “esposa do Senhor Ministro”, continuou sempre que podia, a viajar para Roma para passar com o marido largas temporadas, embora não tão longas como ambos desejariam.

Ferro manteve ao longo dos anos uma relação epistolar com seu filho António, aconselhando-o, criticando os seus livros e trocando ideias sobre literatura, filosofia, arte, teatro e, também, sobre assuntos de família.

 

Lisboa, 5 de Maio [1955]

Meu querido pai

[…] Dê muitas saudades à mãe e diga-lhe que em breve lhe escrevo. A Pó manda também muitas saudades aos dois. […] Mando-lhe dois retratos dos pequenos e peço-lhe que repare como a Mafalda se parece consigo. Tenho esperança de que o pai venha equilibrar a balança pois a mãe só tem olhos para o Antoninho. As pequenas nem têm existência para ela. Mas a Ritinha está um amor e a Mafaldinha, sempre bem disposta e sorridente, tem uma personalidade engraçadíssima.

Muitas saudades e um grande abraço do seu filho muito amigo António

Excerto de carta de António Quadros para seu pai [FAQ/01/0535/00019]

 

Em sessão de 30 de Junho de 1955, foi eleito, pela Classe de Letras da Academia das Ciências, académico correspondente nacional. Participou, a título particular nos X Encontros Internacionais de Genebra, que, em 1955, tiveram por tema A Cultura Estará em Perigo?

Terminou de escrever o conjunto de poemas que intitulou “Poemas Italianos” iniciado em 1954 e que permanece inédito até hoje apesar de António Quadros ter começado a prepará-lo para publicação. O conjunto inclui poemas como: «Museu», «O poeta Miguel Ângelo», «Praça de Santo Inácio», «Praça de Espanha», «Pietá», «O Anjo de Leonardo», «As Madonas de Geovanni Bellini», entre muitos outros.

António Ferro passou sozinho o Natal de 1955, sem o saber, o seu último Natal.

No dia 30 de Maio de 1956, escreveu uma carta que guardou num envelope onde redigiu: Para ser entregue ao meu filho António depois da minha morte.

 

Querido António,

Enquanto tenho ainda forças para pegar numa pena e enquanto ainda consigo interessar-me (já palidamente…) pelo que pode acontecer ao meu nome, depois da minha morte, desejo dar-te algumas instruções rápidas sobre o que se pode salvar do que escrevi nos últimos anos e que podes entregar, depois de cuidadosamente revisto, a algum editor que se interesse pelas minhas cinzas, o que duvido. […]

Não tenho conselhos a dar-te pois tens indiscritíveis qualidades e só me tens dado motivos de satisfação e de orgulho. Apenas, procura sempre reflectir antes de qualquer acto público ao qual possas ficar para sempre agarrado. […] Uma última recomendação: sê bom, sê bom através de tudo, até quando tenhas de responder à maldade dos outros.

A glória humilde, a glória íntima do coração é a maior e a mais bela de todas, Não poder continuar a fazer bem aos outros, a ser, ao menos, gentil para com eles, é agora o meu maior sofrimento.

Um grande beijo do teu pai, para além da morte, outro para a Pó que estimei sempre, e beijos também para os teus filhos cuja graça já não pude saborear como tanto sonhei e desejei.

E peço-te que não chores… A morte é o único repouso possível para quem está minado como estou minado.

António

[FAQ/01/0548/00016]

 

Conservou ao longo dos seus últimos anos um grupo de amigos leais e de outros que continuavam a dele necessitar embora o convívio fosse cada vez mais espaçado e as vivências em comum, quase inexistentes.

Recebeu uma proposta do seu velho amigo Azeredo Perdição para um projecto da Fundação Gulbenkian mas a proposta chegou demasiado tarde, através de uma carta de António Eça de Queiroz.

 

Lisboa, 10 de Agosto de 1956

[…] Agora, meu caro Ferro, aqui entramos na parte onde você pode ser para mim a mais sólida das alavancas, e olhe que lhe escrevo a conselho do próprio Azeredo Perdição. Este disse-me da grande afeição e amizade que lhe tinha e aconselhou-me em que não perdesse tempo e não deixasse de escrever imediatamente.

Em vista disto, eu devo supor que V. está em plena comunicação com o Azeredo Perdigão. Portanto, vou dizer-lhe o que é que ele amabilíssimo, acaba de dizer-me.

Que a Fundação tenciona publicar uma grande revista da mais alta qualidade […] o Azeredo Perdigão parece ter grande esperança que você aceite a direcção desta importante publicação. […]

O Azeredo Perdigão disse-me – mais ou menos – que se eu viesse pelo seu braço para o secundar – como o secundei no Secretariado – que ele me aceitaria com o maior gosto, pois compreende perfeitamente que um homem com o meu nome e com a minha qualidade literária estaria perfeitamente indicado para ser o “braço direito” daquele a quem seria confiada a direcção do empreendimento.

Em carta de António Eça de Queiroz para António Ferro. [FAQ/01/0537/00004]

 

Em 1956, deslocou-se a Lisboa mas por motivos de saúde. Uma semana depois de  uma intervenção cirúrgica sem gravidade, morreu em silêncio (11 de Novembro) no Hospital de S. José. Tinha 61 anos. Não houve sequer tempo para, atempadamente, avisar o seu filho Fernando, então em Inglaterra e, naquele dia, em parte incerta.

 

Acabo de ter notícia pelos jornais. 10 horas manhã. Segunda feira. Tarde demais para tomar avião. Tentei telefonar sem resultado. Estou angustiado sem notícias. Choque inesperado. Tragédia deixou-me absolutamente impossibilitado tomar qualquer decisão. Por amor de Deus telefone-me. O seu filho de sempre Fernando.

Telegrama de Fernando de Castro Ferro para sua mãe, Fernanda de Castro,

12 de Novembro de 1956 [FAQ/01/0430/00011]

 
 02 — O Secretariado da Propaganda Nacional SPN / Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo SNI, dirigido por António Ferro, por Mafalda Ferro


   O Secretariado da Propaganda Nacional SPN, foi criado no dia 26 de Outubro de 1933 (há 92 anos) pelo governo de Salazar, tendo sido substituído em 1945 pelo Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo SNI. A notícia é publicada no Diário do Governo no dia 30 de Dezembro de 1944.

António Ferro dirigiu estes organismos durante um total de quase 16 anos e, nesse período, até à sua partida para Berna em 1950, foi, segundo António Vitorino d'Almeida, o melhor Ministro da Cultura [sem o ser] que Portugal já teve.

A oferta cultural do SPN/SNI passou pela implementação, divulgação e apoio de inovadores projectos e autores literários e artísticos prémios, concursos, exposições, publicações, cinema, teatro, dança, música, turismo, artes gráficas, arte popular e moderna, sem esquecer as bibliotecas ambulantes (1945) e o Museu de Arte Popular (1948) realizados em Portugal e/ou no estrangeiro que, com a sua ajuda, são utilizados num estruturado plano governamental de propaganda.

 

A 11 de Março de 1947 foi assinado o auto da entrega do Palácio Foz, pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (responsável pela obra) à Direcção-Geral da Fazenda Pública (tutela do património nacional) e desta ao SNI, Secretariado Nacional da Informação, Cultura Popular e Turismo (utilizador do edifício). António Ferro subscreveu pelo SNI e a partir de aí dá-se uma assimilação que chegou os nossos dias: o Palácio Foz é o SNI e o SNI é Ferro. [Em "Histórias do Palácio Foz", de António Xavier, 2019, p.165]

 

No dia 2 de Abril de 1947, manifestamente preocupada com a saúde e a fadiga do marido que conta agora com 14 anos de trabalho à frente do SPN/SNI, Fernanda de Castro escreve uma longa e ponderada carta solicitando a Salazar que lhe seja concedido um posto mais tranquilo, talvez em Paris, cidade dilecta de António Ferro. Nessa carta, escrita sem o conhecimento do marido, a poetisa revela entre outros factos a nostalgia que ele sente por não poder dedicar-se mais à sua obra literária, protelada em favor do Secretariado.

 

Casei há 25 anos e conheço o meu marido melhor do que ninguém. Ao longo destes anos, tenho-o visto lutar sem desânimo, trabalhar duramente, traçar o seu caminho através de injustiças, ingratidões e calúnias que cruelmente o têm afectado, sem que até hoje, creio, o seu trabalho se tenha ressentido de tantas amarguras e de tantas desilusões acumuladas… [PT/FAQ/AFC/01/0428/00004] 

 

A resposta não se faz esperar. No dia seguinte, a 3 de Abril de 1947, Salazar escreve-lhe, não concorda com a transferência para Paris, sugere Berna ou Buenos Aires. António Ferro virá a ser nomeado Ministro de Portugal em Berna, deixando para trás o SNI e o seu querido Portugal em finais de 1949.

Por ocasião da sua despedida do SNI, António Eça de Queiroz, seu colaborador desde o início,  proclama, comovido:

 

É que não foi um barco de ligeiro governo, navegando por sobre águas bonançosas, aquele que António Ferro tão acertadamente tem conduzido. Pesado era o barco e de difícil manejo, ásperas e contrárias, traiçoeiramente contrárias, muita vez as correntes que contrariaram a sua marcha». E terminaria assim: «Da nossa lembrança, da nossa amizade, da nossa saudade nunca o António Ferro sairá. Vêmo-lo partir com uma pena que talvez nem ele possa avaliar.  O seu nome fica gravado como marca indelével na existência do grande Organismo que criou. O seu nome, meu querido António Ferro creio-o bem fica gravado para sempre nos nossos corações.

 

Uma mensagem de despedida exposta na Livraria Tavares Martins no Porto e na Livraria Bertrand em Lisboa é assinada por 1500 intelectuais, amigos e admiradores de António Ferro.

No dia 22 de Dezembro de 1949, os jornalistas de Lisboa realizam um almoço de homenagem ao seu “camarada António Ferro”, recentemente eleito Ministro de Portugal em Berna e de partida para essa cidade. O menú do almoço é assinado por Norberto de Araújo, Augusto Pinto, Amélia Rey Colaço, Carlos da Costa, João da Câmara, José Dias Sanches, António Quadros, Luiz Teixeira, Armando Bayly, Frederico Alves, Pedro Correia Marques, Padre Moreira das Neves, entre outros.

Um grupo de artistas plásticos de Lisboa oferece-lhe um banquete de homenagem e despedida. Entre muitos, estão presente Carlos Botelho, Bernardo Marques, Jorge Segurado, Jorge Barradas, Manuel Lapa, António Duarte, Fred Kradolfer, Eduardo Anahory, Jorge Matos Chaves, etc.

 

03 Depois da morte de António Ferro (1956-1974), por Mafalda Ferro

 

Em Outubro de 1956, a Legação de Portugal em Roma é elevada à categoria de Embaixada e, poucos dias depois, ainda formalmente ministro plenipotenciário mas, informalmente, já embaixador (sem ainda ter recebido as credenciais), António Ferro por já há algum tempo não se sentir bem, consulta médicos em Lisboa e em Berna que lhe aconselham uma estadia termal e repouso. É, então, substituído interinamente na Legação de Portugal por Rui Medina.

No início de Novembro, já instalado num quarto particular do Hospital de S. José em Lisboa recebe um telefonema de Salazar que, com um estranho pressentimento, lhe pede: Por favor, não se deixe operar.

Apesar disso, a cirurgia está marcada e à operação, aparentemente, um sucesso, segue-se outra intervenção e, na madrugada de 11 de Novembro, a crise fatal. Tinha 61 anos.

 

Desgraçadamente a operação não foi feliz e, assim, nove dias depois de operado, morreu num quarto particular do Hospital de S. José, às duas da madrugada do dia em que, horas antes, o operador me dissera: «Hoje, sim, já podemos deitar foguetes!

Fernanda de Castro, em Memórias (1906-1987), p.71.

Lisboa: Fundação António Quadros, 2024.

 

O corpo é velado durante toda a noite por familiares e amigos na capela mortuária da Igreja de S. João de Deus. Na mesma igreja, às 11h, é celebrada uma missa de corpo presente pelo seu prior, Padre Lobo, acompanhada pela Orquestra de Câmara da Emissora Nacional sob a direcção de Paulo Manso. À missa, assistiram centenas de pessoas; Salazar participa mas não se desloca ao Alto de S. João; fazendo-se então representar pelo General Esmeraldo Carvalhais. [Correio do Minho, 13-11-1956].

No primeiro turno, a urna é transportada pelos artistas Thomaz de Mello (Tom), Carlos Botelho, António Duarte e Bernardo Marques.

 

Estávamos todos ou quase todos presentes na despedida para a sua última viagem. Não foi só o homem e o amigo que partiu, foi também para aqueles que mais de perto o conheciam e compartilhavam com ele dos seus sonhos e projectos uma esperança que deixou de existir. Ao arrumar as flores singelas que vieram dos jardins de Lisboa encher de cor o seu último poiso, quando se fechou para sempre o caixão daquele homem que tinha o dom de acreditar, que era mais que um amigo porque era também um camarada dos mais sinceros, compreendi então que já não podia voltar a fazer a pergunta que tantas vezes lhe repetira: - Precisa mais alguma coisa de mim, Patrão?

TOM, em Diário de Notícias, 27.11.1956, p.7

 

Inúmeras coroas de flores envoltas em faixas de cetim são enviadas de Portugal e do estrangeiro:

 

«Ao camarada e ao amigo 11-XI-956. Bernardo Marques, Carlos Botelho, Emmérico Nunes, Fred Kradolfer, José Rocha, Thomaz de Mello». [FAQ/CA-MED/00020];

"Da Emissora Nacional 12-XI-956". [FAQ/CA-MED/00021]

"Os funcionários do Secretariado Nacional da Informação". [FAQ/CA-MED/00022]

"Ao seu Presidente de Honra, Círculo Eça de Queiroz". [FAQ/CA-MED/00023]

"UMBERTO", do Rei Humberto II, de Itália. [FAQ/CA-MED/00024]

Do Embaixador de Itália em Portugal [FAQ/CA-MED/00025]

Do Governo da Polónia [FAQ/CA-MED/00026]

 

António Ferro jaz até hoje no cemitério do Alto de S. João, no mesmo jazigo de família (n.º 42/05, rua 31) com seus pais, Helena e António, e onde se lhe virá a juntar o corpo de seu filho mais velho em 1993. O jazigo que pertencera a Umbelina Rachel Liso de Sant’Anna Tavares (-/25 de Abril de1921), sua antepassada, fora herdado por seus sobrinhos Maria Helena Ferro da Cunha de Matos e Pedro Henrique Ferro da Cunha.

A imprensa portuguesa não deixa passar em branco tamanha tristeza. Referimos aqui apenas alguns exemplos:

 

1956.11.25, «Primeiro de Janeiro», Porto, A Câmara Municipal deste concelho, da presidência do Sr. Tenente-coronel Silva Simões, aprovou um voto de pesar pelo falecimento de António Ferro. [FAQ/02/0071/00204]

1956.11.26, «A Voz», Goa, 25 Os jornalistas de Goa e os correspondentes dos jornais da Metrópole e das agências noticiosas nacionais e estrangeiras, mandam celebrar, depois de amanhã, na igreja matriz, de Pangim, Missa de sufrágio por alma do jornalista, escritor e diplomata António Ferro. [FAQ/02/0071/00205]

1956.11.23, «Flama», António Ferro tinha uma divisa que manteve em toda a vida: «o presente já não me satisfaz, quando principia a ser passado… [FAQ/02/0071/00208]

1956.11.12, «Diário dos Açores», Ponta Delgada, Morreu António Ferro causando grande consternação em todo o país a notícia do falecimento deste consagrado jornalista, escritor e diplomata. Salazar compareceu na igreja de S. João de Deus, para onde havia sido trasladado o cadáver de António Ferro… [FAQ/02/0071/00212]

1956.11.16, «Gazeta dos Caminhos de Ferro», Lisboa, António Ferro: Com o falecimento de António Ferro, desapareceu não apenas um diplomata, que servia, admiravelmente, o nome e o prestígio do nosso país, mas sobretudo, um grande jornalista, um dos maiores, mais originais do nosso tempo… [FAQ/02/0071/00230]

1956.11.17, «Correio do Ribatejo», Santarém, António Ferro: Foi a enterrar, esta semana, alguém que não passou em vão pela terra que lhe deu o ser… [FAQ/02/0071/00233]

1956.12.02, «Voz de Portugal», Rio de Janeiro, António Ferro foi, sobretudo, na sociedade portuguesa do seu tempo, uma corrente de ar. Sacudiu muita gente adormecida, estilhaçou algumas vidraças, provocou bastantes espirros. Mas abriu janelas, renovou, criou…, por Augusto de Castro. [FAQ/02/0071/00259]

1958.10.02 «Diário Popular», Lisboa António Ferro não veio para a política, não veio para os cargos públicos, sem bagagem. Tinha já um nome nas letras. No teatro. Na ficção, na reportagem, batalhara, escandalizara, e muitas vezes triunfara ruidosamente. Não foi o Secretariado da Propaganda que o fez. Foi António Ferro que o fundou, o ilustrou, e projectou aquém e além-fronteiras, por M. N. de M. [FAQ/02/0072/00002]

 

Também na imprensa internacional a noticia da sua morte é publicada: O Times (16.11.1956) refere que «O seu país deve deplorar profundamente a morte prematura de quem tanto fez por ele» e o France-Soir (12.11.1956) que «Avec António Ferro la France perd son meilleur ami portugais». A 10 de Dezembro, no Monde Diplomatique, em Paris, Jean Charron, escreve: A França perde um amigo sincero e um subtil conhecedor da sua cultura. Para Portugal, é a maior figura do seu jornalismo que desaparece.
    Eduardo Brazão, seu, nessa altura, sucessor no SNI, determina que se coloque um busto seu no jardim principal do Palácio Foz prestando assim homenagem à obra aí realizada por António Ferro; com esse objectivo, contrata o escultor Álvaro de Brée.

Em 1957, seu filho António Quadros publica postumamente o livro "Saudades de Mim" em cujo prefácio menciona: 

 

Há quem diga que principiou aí [em Berna] a sua morte. E, na realidade, a transição foi brusca demais, brutal demais. Habituara-se, desde os tempos do jornalismo, a trabalhar até à uma, às duas da manhã, todos os dias. Habituara-se à fogueira constante das suas iniciativas e das suas lutas. Habituara-se a viver sob pressão, debatendo hora a hora novos problemas e novas soluções com novas pessoas. E, de repente, encontrava-se numa cidade onde o tempo tinha outra dimensão, onde todos os lugares públicos estavam fechados às onze da noite, onde as pessoas falavam em voz baixa com medo de perturbar o silêncio e a paz, onde a vida frívola e ligeira dos cocktails diplomáticos era a única evasão possível …

 

    É ainda nesse ano que Eduardo Brasão institui o «Prémio António Ferro» destinado a galardoar os jornalistas estrangeiros que na imprensa periódica publicarem artigos sobre Portugal e a vida portuguesa: O prémio, bienal, concedido em anos alternados com o do Prémio Camões», é atribuído pela primeira vez, em 1958, abrangendo artigos de imprensa publicados desde 1 de Janeiro de 1956 até 31 de Dezembro de 1957 e entregue a Leo Magnino no dia 26 de Outubro de 1958 pela sua obra "Il Contributo del Portogallo alla civiltá occidentale" in Revista Latina.

Em 1958, no 25.º aniversário do SPN/SNI, dois anos depois da morte do seu primeiro director, é descerrado no Palácio Foz o já referido busto de António Ferro.

Na casa que foi a sua desde 18 de Janeiro de 1922 (Contrato de arrendamento pelo valor de 160$00 da casa da Calçada dos Caetanos por António Ferro, então morador na rua do Registo Civil, antiga Rua dos Anjos, n.º 26. 2.º em Lisboa [FAQ/07/00019]), o Presidente da Câmara de Lisboa, descerra uma lápide com o seu nome, ao lado das lápides já existentes de Oliveira Martins e de Ramalho Ortigão. No mesmo ano, em Fevereiro, a Câmara Municipal de Cascais inaugura em Cascais a Rua António Ferro.

Em 1960, no Brasil, Pernambuco, Gastão de Bettencourt publica, em edição do autor, "António Ferro e a Política do Atlântico" e, em 1963, as Edições Panorama dedicam-lhe uma "Antologia de António Ferro" com selecção, prefácio e comentários de António Quadros, incluindo alguns dos seus  poemas Italianos, bem como excertos do diário que escreveu em Berna e em Roma. António Quadros dedica esta obra "A Guilherme Pereira de Carvalho, Jaime de Carvalho e Pedro Ferro da Cunha, íntimos amigos do Homem, íntimos colaboradores da Obra".

Em sua homenagem, a 11 de Fevereiro de 1971, a Câmara Municipal de Oeiras, inaugura uma praceta em Oeiras com o seu nome.

No dia 28 de Maio de 1974, o busto de António Ferro, no Palácio Foz, é coberto com panos negros e atado por um grupo pertencente ao Movimento Democrático de Artistas Plásticos, constituído por Eduardo Nery, Artur Rosa, Nuno San Payo, Conduto Escada, Fernando Azevedo, Júlio Pomar, Nikias Skapinakis, João Vieira, entre outros. O seu lema era "A Arte Fascista faz mal à vista" [Em "Histórias do Palácio Foz", de António Xavier, 2019, p.229].

Terminando, partilhamos as palavras de António Quadros registadas em "Saudades de Mim":

 

Amanhã já foi. António Ferro já não é deste mundo. Deixou atrás de si versos carregados de sensibilidade. Deixou atrás de si uma obra indestrutível.  Imortalizou-se, porque criou vida para além da sua própria vida, porque enriqueceu a existência para além da sua própria existência. Objectivamente o afirmo, ao terminar este prefácio, António Ferro merece a gratidão de todos os portugueses. E eu, seu filho, seu amigo e seu devedor, quero ser o primeiro a assinar o preito de homenagem que a Pátria não deixará de lhe prestar.
 
04 — Sobre Partir Sem Rumo — acerca do Centenário da primeira representação de Náufragos, em 1925, por António Coito

 

“Artista de rara sensibilidade e de boas relações. O ambiente teatral atraía-a, coisa que acontecia a muitos literatos. Assim, deitou mãos à obra, e produziu uma peça em três actos que intitulou de Náufragos.”

(“Fernanda de Castro teve a sua estreia como escritora teatral”,
em Diário da Manhã, 27 de Abril de 1925)

 

“O segredo é amar. Amar a Vida

com tudo o que há de bom e de mau em nós.

amar a hora breve e apetecida (...)

sem limites, fronteiras, horizonte.”

(Fernanda de Castro, Trinta e Nove Poemas, 1941)

 

No presente ano civil, já tiveram lugar várias iniciativas que celebraram Fernanda de Castro, no âmbito dos 125 anos do seu nascimento, através da leitura e releitura dos seus textos, em ambiente de tertúlia, recordando o seu percurso literário e social. A partir dessas ocasiões, nas quais foi apresentada e comentada uma das publicações póstumas mais recentes — Náufragos, primeiro texto dramático escrito pela autora, organizado e editado pela Fundação António Quadros — proponho uma reflexão que permite, por um lado, explicar o processo de preparação da edição crítica de Náufragos e, por outro, comentar sucintamente alguns aspectos compositivos desta peça, assim como a recepção crítica da sua primeira representação, que aconteceu há cerca de cem anos, em Abril de 1925.

A fixação de um texto não publicado, em bom rigor, é um exercício complexo e minucioso que, muitas vezes, pode não ficar totalmente concluído, tentando-se, sempre que possível, corresponder àquilo que seria a vontade do seu autor. O caso da peça Náufragos é especial: não dispomos do manuscrito, que muito provavelmente terá ficado perdido nos arquivos do Teatro Nacional, em 1920, aquando do Concurso de Originais Portugueses pelo Conselho Teatral do Teatro Nacional Almeida Garrett (actual Teatro Nacional D. Maria II). Por isso, neste processo de fixação de texto, tornou-se importante, primeiro que tudo, “a recolha de todos os elementos disponíveis pela chamada tradição diplomática, isto é, o conjunto de manuscritos ou impressos que permitiram a transmissão do texto editado”, assim como “a comparação de todos esses elementos’’ (Ceia, 2009). Para o efeito, foi fundamental a leitura atenta do texto publicado na Revista De Teatro, n.º 32, em Maio de 1925, baseado no texto original, como também do manuscrito de Ilda Stichini, actriz principal das primeiras representações desta peça, que permitiu um exercício comparativo minucioso, esclarecendo grande parte das dúvidas existentes.  

Além do exaustivo trabalho de restauro patrimonial do texto, o que dá igualmente grande valor a esta publicação, no meu entender, é o espólio bibliográfico que acompanha o texto propriamente dito. Recordo, com muito entusiasmo, o dia em que visitei a Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra e, entre os vários documentos que pedi para consultar, encontro o livro Mulheres que Escreveram Teatro no Século XX em Portugal, da autoria de Eugénia Vasques, professora universitária e crítica de teatro. A emoção foi enorme quando encontrei a seguinte descrição para Náufragos, de Fernanda de Castro:

 

“Representada com êxito no Teatro Nacional, na temporada de 1924-1925; estreia a 27 de Abril de 1925 (data referida em alguns periódicos, mas que não corresponde); nove representações. Prémio Teatro Nacional 1920. Peça convencional; regionalista: hábitos dialetais do Algarve. Amor acima de todas as coisas; bem escrita, tinha a autora 17 anos (na verdade, 19) [...] Casa em 1922 com António Ferro; fica viúva em 1956. Fundou a Associação Nacional dos Parques Infantis. Aguarda-se a publicação da sua obra completa.(Vasques, 1998, p.89)

 

Mal sabia Eugénia Vasques que, quase 30 anos depois, seria a autora do Prefácio da publicação da obra completa, em virtude de vários acasos, que poderão ser descritos e contados noutra ocasião. Realço, por simpatia, a brilhante imagem de capa, de autoria de Luís Silva Moreira, que sugere a subjectividade da linguagem que vamos encontrando com a leitura deste texto; a introdução de Mafalda Ferro, que nos leva a compreender que, seja qual for o projecto, “Fernanda de Castro revela sempre algo de si, da sua alma, das suas memórias” (Ferro, 2024, p.11), como veremos mais à frente; o Prefácio de Eugénia Vasques, verdadeiro estudo académico sobre o texto publicado, quer no que diz respeito às suas estratégias compositivas, quer à recepção crítica na década de 20; o Posfácio de Joana Leitão de Barros, texto de cariz documental e sentimental, ilustrativo da amizade singular da autora com Teresa Leitão de Barros, ficando a ideia de que “Por cima de um muro invisível, fala-se de génio feminino e de escritoras” (Leitão de Barros, 2024, p.141); finalmente, mas não menos importante, o glossário da minha autoria, estudante de literatura e ribatejano, que reflecte a tentativa esforçada de direccionar algumas pistas dialectais do falar algarvio, quer ao leitor, quer a futuros actores.

Entrando “por dentro” deste texto, surge o olhar da jovem Fernanda, ainda solteira, entre 1918 e 1919, a respeito de um episódio de pescadores locais que, aliás, muito pode ter de inspiração autobiográfica, conforme apontado por Mafalda Ferro. Por seu tomo, a idade não deve ser vista como factor de desvalorização nesta empreitada, especialmente se considerarmos as contaminações ainda neo-românticas visíveis nesta peça. O “apego às terras e ao povo português, as tradições orais e folclóricas, o nacionalismo, o naturismo, a atitude moralizante e afectiva diante do insulamento e egotismo depressivo do eu” (Fernandes, sem data), descritos no Arquivo virtual da Geração de Orpheu, na entrada sobre o Neo-romantismo, explicam e justificam a pertinência e inserção desta obra na continuidade das tendências do início de século. Nas palavras de Duarte Ivo Cruz, em História do Teatro Português, em Náufragos “avulta a limpidez de uma linguagem ao mesmo tempo local (Algarve) e poeticamente Universal” (2001, pp. 274-275) — é precisamente com o trabalho da linguagem que esta peça permite uma viagem efectiva às terras algarvias, não sendo o local uma mera indicação cénica. Nessa mesma lógica, Eugénia Vasques defende que, nesta peça, “a escrita das didascálias vai ainda mais longe do que o simples vincular das informações espácio-temporais e de acção (...) o registo poético preside à sua redação” (2024, pp. 27-28). Basta, por exemplo, lembrarmo-nos das metáforas e jogos de linguagem que acompanham a lista inicial de personagens, anteriormente ao acto I, elucidando sobre aquilo que define cada uma das personagens — “Mariana — Flor do mar, olhos d’água, corpo lindo sob os trapos”.

  Entre os vários temas explorados nesta obra, destacaria o desprezo pela condição de enjeitada (na personagem Mariana, “fio condutor do drama”), o patriarcado, a religiosidade (devoção particular a Nossa Senhora da Encarnação), os costumes, a sabedoria popular (visível na construção da teia criminal de quem terá matado Ernestino, o filho favorito do Tio Brás) e a condição humana, muito frágil, pelo olhar da pobre e miserável vida dos pescadores algarvios. Neste contexto, depois de alguns argumentos apresentados, parece-me óbvia a escolha pelo modo dramático para dar corpo e voz a esta história, especialmente, se considerarmos o teatro como forma, por excelência, de representar a Vida humana. De acordo com Carlos Reis, Professor Emérito da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em O Conhecimento da Literatura, “é sabido também que diversos jogos, rituais e práticas sociais envolvem uma componente de teatralidade; o que permite pensar que o drama e o espectáculo teatral são fenómenos em directa conexão com o quotidiano” (Reis, 2010, p. 267). Partindo desse pressuposto, há uma clara preocupação com o princípio da verosimilhança, por via de um lugar real, no qual as personagens comunicam. Logo, se o modo dramático tem como fim o espectáculo teatral, interessa-nos compreender como foi recebida a representação “destes” Náufragos.

            O prefácio de Eugénia Vasques, Um Amor de Salvação “tirado polo natural”, muito nos diz sobre a recepção e contexto de produção desta peça na década de 20. Recomendo a sua (re)leitura. Nesse mesmo texto, a estudiosa de teatro recorda algumas observações que surgiram no Diário de Lisboa, como “os cenários de Leitão de Barros têm cor, têm pitoresco, criam ambiente”, realçando-se que a peça é reveladora de “uma incontestável dramatizadora, é interessante expressão cénica de um conflito passional, enquadrado num ambiente algarvio”.

Noutra perspectiva, o contributo do intelectual João Luso, no Jornal dos Teatros, na sua edição de 13 de Maio de 1925, torna-se imprescindível. Na secção “Notas Críticas e Impressões” do semanário, Luso afirma-se um “devotado defensor dos novos, na acepção de principiantes” (1925, p.4), enquadrando Fernanda de Castro nesta linhagem. Aliás, vai mais longe, adoptando uma postura de visionário, referindo que “D. Fernanda de Castro chegou, viu e venceu: é caso para se dizer que se estreou auspiciosamente e que, portanto, não deve deter-se na carreira que encetou”, deixando-lhe algumas dicas e comentários para que pudesse progredir, alcançando o “trabalho perfeito”. Saliento, por considerar ser, na actualidade, o maior desafio de representação desta peça, a menção “à pronúncia” usada pelas personagens na representação de 1925. Para Luso, não houve muita preocupação com a linguagem, aspecto que deve ser visto como adereço fundamental neste drama regional, mas que alguns exageraram, outros “viciaram a dicção”, tendo, ainda, havido quem não se tivesse preocupado, deixando a seguinte recomendação:

 

Ora desde que se trata de uma peça regional, não seria conveniente que todos dessem à pronúncia o sotaque da região? Ou então que falassem todos como alfacinhas, que nós cá os transformaríamos depois em alfarrobas !

(João Luso, 1925, p.4)

 

Também nas Memórias encontramos, como sugeriu Paula Mourão, “abundante material para a composição de um retrato de época, tanto no que respeita à literatura como à vida social [do século XX]” (2020, p.75), existindo referências a esta peça, sendo interessante salientar a sua adesão pelo público, uma vez que “agradou, fez carreira, e muitos anos depois Ilda Stichini ainda a conservava no seu reportório, representando-a sempre que ia em tournée” (2024b, p.115). Refira-se o destaque para a estreia de Ilda Stichini, a quem Fernanda de Castro deveu, “em grande parte, a salvação dos seus Náufragos”, pela excelente entrega e prestação nas várias representações, mas também pelo especial papel de Mariana, replicado pela própria como “o meu primeiro grande êxito no teatro dramático” (2024b, p.116).

Terminado este excurso por alguns aspectos caracterizadores da primeira encenação de Náufragos, convém, em grande medida, perceber o motivo pelo qual esta peça deixou de ser representada. Poderia ter sido por falta de aceitabilidade... Ainda assim, consultando o volume 2 da História do Teatro Nacional D. Maria II, encontramos a grande resposta para o enigma, tendo em conta que “a obra agradou, mas não pôde dar mais de nove récitas. A sala de espectáculos e o salão continuavam a ser apetecidos” (1955, p.615), isto é, muito procurados para outros eventos, estando, assim, sobrelotados constantemente. Curiosamente, em diferentes contextos, o verbo “agradar”, que carrega no seu significado a vontade de dar gosto, prazer, alegria, satisfação ou causar agrado, surge ligado a este projecto, quer pela voz da autora, quer pela crítica da época, o que indicia, de facto, uma impressão positiva desta peça.

Posto isto, resta responder a uma grande questão: de que nos vale ler Fernanda de Castro, mais precisamente a peça Náufragos, após 100 anos da sua primeira representação? Primeiramente, por ser um verdadeiro retrato de uma comunidade, com tempo e espaço definidos, perpetuada através de uma escrita, ainda que ficcional, creio eu bem realista e evidenciadora dos desafios daquele tempo. Depois, pelo seu alcance existencial: o Amor pelo Outro, a violência que não leva a lado nenhum, a Empatia como melhor forma de tratamento e aceitação do próximo e a Abnegação daqueles que amam, mas preferem ver felizes os amados, abdicando da reciprocidade. Finalmente, pensando numa concepção de “clássico” mais alargada, acreditando que a alma de Fernanda de Castro se encontra em cada um de nós, leitores, fica uma máxima de Vida. O Ser Humano, vítima inevitável do universo sentimental, está sempre a tempo de partir para novas paragens, mas nunca movido pela solidão — “Leva-me para muito longe...”, pela voz da personagem Mariana, dirigida a Inácio.

Afinal, pode a Vontade Humana, sempre que desejável, libertar e expandir para bem longe, encarando a partida como início de novos ciclos, ainda que muitas vezes possa ser na “escuridão”, mas deleitados pelos motivos do coração. As angústias, os descontentamentos ou a sensação de alienação, que muitas vezes atravessam o interior de cada um de nós, podem perfeitamente ser solucionados pela ideia de Viagem, que, actualmente, me parece cada vez mais uma forma de fuga. Se não for uma jornada física, pelo menos que seja verdadeiramente justa e bem vivida no plano da Imaginação de cada um de nós! As reticências finais deixam nas nossas mãos, enquanto protagonistas, o destino da embarcação...

NOTA: O presente texto é uma adaptação das versões utilizadas nas duas apresentações de Náufragos realizadas em Maio de 2025, no Hotel de Inglaterra (Estoril) e na Biblioteca Municipal Laureano dos Santos (Rio Maior).

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Castro, Fernanda (2024a). Memórias (1906-1987). Fundação António Quadros Edições.

Castro, Fernanda (2024b). Náufragos — edição crítica. Fundação António Quadros Edições.

Ceia, Carlos (2009). “Edição Crítica”, em E-Dicionário de Termos literários. Disponível em https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/edicao-critica

Cruz, Duarte Ivo (2001). História do Teatro Português. Lisboa: Editorial Verbo.

Fernandes, Annie Gisele (sem data). “Neo-Romantismo”, em Modernismo. Disponível em https://modernismo.pt/index.php/n/neo-romantismo.

Ferro, Mafalda (2024). Introdução, em Náufragos — edição crítica. Fundação António Quadros Edições.

Leitão de Barros, Joana (2024). “Nós — As dramaturgas pouco felizes no Primeiro Modernismo”, em Náufragos — edição crítica. Fundação António Quadros Edições.

Luso, João (1925). “Notas Críticas e Impressões”, em Jornal dos Teatros, edição de 13 de Maio.

Mourão, Paula (2020). “Ao Fim da Memória. Memórias, de Fernanda de Castro: “É verdade, é mesmo verdade o que contas?”, em Nova Águia, n.º 26.

Reis, Carlos (2010). O Conhecimento da Literatura: introdução aos estudos literários. Coimbra: Almedina.

Sequeira, Gustavo de Matos (1955). História do Teatro Nacional D. Maria II — 1846-1946. Lisboa.

Vasques, Eugénia (1998). Mulheres que Escreveram Teatro no Século XX em Portugal. Colibri.

Vasques, Eugénia (2024). Um Amor de Salvação “tirado polo natural”, em Náufragos — edição crítica. Fundação António Quadros Edições.

 
05 — Na Morte de Fernando Pessoa. Memória

 

   Fernando Pessoa foi internado no dia 29 de Novembro de 1935 no Hospital de S. Luís dos Franceses, freguesia de Santa Catarina, Lisboa. Morreu no dia seguinte, 30 de Novembro, pelas 20h. Tinha 47 anos. No dia anterior, escrevera sua última frase, em inglês: "I know not what tomorrow will bring" ("Eu não sei o que o amanhã trará").

   O funeral realizou-se no dia 2 de Dezembro no Cemitério dos Prazeres. No ano do centenário do seu nascimento, em 1988, o corpo foi trasladado para o Mosteiro dos Jerónimos.

Legenda: Note-se António Ferro, atrás, ao centro

 

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,

Não há nada mais simples.

Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.

Entre uma e outra coisa todos os dias são meus.


Alberto Caeiro,
em revista Athena, n.º 5. Lisboa: Fev. 1925
[há 100 anos]

 

"Morreu Fernando Pessoa. Mal acabei de ler a notícia no jornal, fechei a porta do consultório e meti-me pelos montes a cabo. Fui chorar com os pinheiros e com as fragas a morte do nosso maior poeta de hoje, que Portugal viu passar num caixão para a eternidade sem ao menos perguntar quem era."


Miguel Torga, em Diário I,
entrada de "Vila Nova, 3 de Dezembro de 1935"

 

"A sua experiência e a sua aventura de poeta, de pensador e de homem, recusada como pode ser em muitos aspectos, é sem dúvida única na história de qualquer literatura. Honra-se a pátria que tal filho possuiu."

António Quadros, em Fernando Pessoa, por António Quadros, A obra e o Homem, p.298. Arcádia, 1960.

 

06 — Livraria António Quadros
Obra em Promoção até 14 de Dezembro de 2025

 


Autoria:
Ernesto Castro Leal [1957-]

Título: António Ferro. Espaço Político e Imaginário Social (1918-32). [1.ª edição].

Colecção: «História Moderna e Contemporânea», n.º 3.

Edição: Lisboa: Edições Cosmos, 1994.

 

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