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Newsletter N.º 228 / 14 de Fevereiro de 2026
Direcção Mafalda Ferro Edição Fundação António Quadros
ÍNDICE

01 — Crónicas radiofónicas: o caso de João Francisco Maia (1923/1999), por António Coito.
02 — Sobre o romance "Maria da Lua. História de uma casa" de Fernanda de Castro, por Mafalda Ferro.
03 — Reabilitação e Memória do Jardim de Infância Fernanda de Castro, por Mafalda Ferro.
04 — Colóquio «Branca de Gonta Colaço», 80 anos depois da sua morte. Divulgação.
05 — Agostinho da Silva – Ser, Saber e Servir, por Maurícia Teles da Silva.
06 — Ruy Belo, o «Poeta de S. João da Ribeira», por Mafalda Ferro.
07 — Congresso da História do Turismo e do Lazer. Memória.
08 — Livraria António Quadros, Obra em Promoção até 14 de Março de 2026: "Maria da Lua. História de uma casa", de Fernanda de Castro.

 

EDITORIAL, 
por Mafalda Ferro.

 

Informamos, para que guardem a data, sobre a entrega do Prémio António Quadros Museologia que acontecerá no Museu de Arte Contemporânea Armando Martins -  MACAM, no dia 21 de Março, às 15h, em Lisboa, no Museu, A cerimónia será seguida de uma visita ao Museu e de um beberete.

Dedicamos, hoje, a nossa newsletter a Fernanda de Castro, 125 anos depois e, também, a António Ferro.

No âmbito das comemorações que prestam homenagem a António Ferro, 130 anos depois do seu nascimento / 70 anos depois da sua morte, informamos que o livro "António Ferro: Espírito em Movimento. Ensaios e outros textos" será apresentado brevemente.

 

O Instituto de Filosofia Luso Brasileira e a Fundação António Quadros preparam um colóquio sobre António Ferro a realizar nos dias 19 e 20 de Junho em Lisboa e em Rio Maior. Caso pretenda participar neste colóquio, deverá enviar, até final de Março, uma proposta de título, com resumo e breve CV (para: iflbgeral@gmail.com)

 



TASQUINHAS DE RIO MAIOR



LOCAL:

Rio Maior, Pavilhão Multiusos e zonas envolventes.

DATA:
27 de Fevereiro / 8 de Março

Se gosta de Petiscos, Pratos tradicionais, Doces regionais, Música e Artesanato:

NÃO FALTE.

 
01 — Crónicas radiofónicas: o caso de João Francisco Maia (1923/1999),
por António Coito

 

Os meios de comunicação expungem, como meros ornatos,

a literatura, a filosofia, as reflexões de outra ordem que não seja as

eleições para isto e para aquilo, as greves e o rapto dum diplomata....

(João Maia, Textos e Pretextos, 1986, p. 262)

 

O retrato de um «poeta analista das almas»

Corria o ano de 1923 e Monte Novo, na freguesia da Fundada, via nascer, no seio de uma família rural e cristã, João Francisco Maia. Embora os estudos fossem um privilégio e objecto de crítica para muitos trabalhadores da agricultura, que desde cedo começavam na faina, João Maia concluiu a quarta classe na escola da localidade do Abrunheiro, para onde se deslocava a pé, transportando cerca de quatro quilos de livros. Em 1940, por influência do Padre Aparício, sacerdote da sua aldeia, ingressou na Companhia de Jesus, em Guimarães, licenciando-se em Filosofia pela Faculdade Pontifícia de Braga, sendo, mais tarde, doutorado em Teologia pela Universidade de Burgos, em Espanha.

O início da sua carreira ficou marcado pelo ensino das línguas clássicas, latim e grego, no Seminário dos Olivais e em Braga. Começou o seu percurso na escrita pela revista Brotéria, em 1948, desempenhando funções como membro do conselho redatorial e onde se notabilizou com a secção "Vida Literária " (Trigueiros, 2023). Por sua vez, em 1954, estreia-se com o livro de poesia Abriu-se a Noite, tendo sido galardoado no mesmo ano com o Prémio Antero de Quental. Na cena literária portuguesa, Jacinto do Prado Coelho (1978, p. 201), na entrada “Contemporâneos” do Dicionário de Literatura, insere João Maia no grupo de escritores que fica «à margem de quaisquer agrupamentos poéticos (...) entre os anos de 1946 e 1956», considerando-o um «poeta divino» (1978, p. 57), ao lado de Ruy Belo e José Blanc de Portugal. Dado às línguas e humanidades, traduziu alguns autores, salientando-se Marco Aurélio e Liev Tolstói, contribuiu para a Enciclopédia Verbo e elaborou fichas de leitura para a Fundação Calouste Gulbenkian. Nas funções de crítico literário e cronista, colaborou, também, na revista Colóquio e no jornal sertaginense O Renovador (2000, pp. 286-287). Nos tempos livres, dedicava-se às suas tertúlias literárias e era comprometido com a Igreja.


Em todo o caso, destacar-se-á, nesta pequena exposição, o trabalho desenvolvido na radiofusão. O seu percurso começou na Emissora Nacional, antes da Revolução de 74, na qual tinha uma coluna quinzenal intitulada “Tempo Literário”, frequentemente em colaboração com João Bigotte Chorão1. Mais tarde, em 1976, na Rádio Renascença, assina o programa semanal “Textos e Pretextos”, que deu nome ao livro de crónicas radiofónicas publicado em 1989 e prefaciado por António Quadros.

 

Fernanda de Castro em destaque na Rádio Renascença (1986 – 1990)

A presença de João Maia na rádio portuguesa deixa-nos um legado muito rico, próprio de um intelectual que reflecte sobre o valor dos livros, a arte de ensinar, as tendências para a violência e a agressividade, a Memória, a tentação do poder, o sentido da Vida e da Morte, o mistério das Quatro Estações e a Religião. Tudo isto sem nunca perder o olhar atento sobre os escritores do seu tempo que iam publicando as suas obras e é, neste contexto, que surgem quatro belíssimos episódios dedicados à produção literária de Fernanda de Castro.

No dia 28 de Agosto de 1986, pelas 21 horas, a antena da Rádio Renascença acolhia mais uma emissão do programa Textos e Pretextos, desta vez dedicada ao livro Ao Fim da Memória I. O crítico e locutor João Maia destaca o «tom desprendido, calmo, pacífico» desta obra, considerando-a um «verdadeiro Hino à Vida», construído através de um cortejo de personalidades que «contracenaram no tablado da vida» (1989, pp. 202–203) e que acompanharam a escritora na infância, juventude e primeiros anos de casamento com António Ferro. Os pormenores relativos a esta emissão chegam-nos através de um texto datilografado existente no acervo da Fundação, à semelhança do que acontece com mais dois episódios da década de 90.


Algum tempo depois, sem data precisa — uma vez que o texto se encontra apenas publicado no livro de crónicas radiofónicas Textos e Pretextos —, fica-se a conhecer o leitmotiv do episódio seguinte, dedicado à obra Ao Fim da Memória II. De acordo com o que é referido no início da crónica, este episódio foi emitido com algum distanciamento em relação à data de publicação do volume, devido a problemas de saúde do locutor, nomeadamente a diabetes, mas também ao rigor e ao tempo de leitura que o crítico desejava consagrar à obra. Ainda assim, João Maia destacou o «plano familiar» e o «plano público ou internacional» presentes na urdidura temática do livro de memórias, sublinhando a existência de «pormenores indispensáveis sobre o aparecimento do Orpheu, que interessam e merecem apuramento histórico». Além disso, salientou o «sentimento de Amizade» que confere humanidade a «este tecido de Vida», inserindo Fernanda de Castro e as suas Memórias no conjunto dos textos memorialísticos que, «sem sair de casa, chamam o mundo a si e equilibram os dois pratos da balança», isto é, entre o lado interior de um sujeito e o lado do mundo que o rodeia.


Após a publicação das várias crónicas reunidas no livro de 1989, onde constam os textos anteriormente referidos, é possível identificar, em 1990, pelo menos mais dois episódios, a partir de documentos encontrados na Fundação António Quadros. O primeiro (Maia, 1990a), emitido a 26 de Janeiro de 1990, novamente pelas 21 horas, constituiu uma excepção no ambiente programático das emissões anteriores, sobretudo por dar destaque ao livro de poesia Urgente. Esta escolha deveu-se, em particular, a uma recomendação do cineasta António Lopes Ribeiro, feita numa sessão do Círculo Eça de Queiroz. João Francisco Maia sublinha, nesta obra, a sua força, clareza e frescura, bem como o compromisso com a «defesa lírica do eterno humanismo da vida não contaminada», «insubornável e invencível». Destaca ainda, entre outros temas, a figura do homem renovado pela natureza («água tranquila»), mas simultaneamente exposto à ameaça da fábrica poluidora («chaminés de fumo»).


O segundo episódio (Maia, 1990b), transmitido a 27 de Abril do mesmo ano, foi dedicado ao livro Cartas Para Além do Tempo..., entendido como um prolongamento da «inspiração que ditou os dois volumes das Memórias». Trata-se de uma obra marcada pela confluência de grandes personalidades com quem Fernanda de Castro conviveu, sobressaindo uma «frescura de estilo e prontidão de memória». João Maia considera-o um livro bem escrito, «sem crítica azeda», que reflecte uma «alegria saudosa», ainda que sem grandes avanços, marcada pela «certeza de que os que estão além nos esperam para nos tornarmos a ver na verdadeira terra dos vivos».

 

António Quadros, um grande amigo do Padre João Francisco Maia

O prefácio intitulado “Da Beleza dos Textos, da Bondade dos Pretextos, da Verdade dos Textos e Pretextos”, escrito por António Quadros na Páscoa de 1989 para o livro Textos e Pretextos, torna-se, de certo modo, imprescindível para um conhecimento mais aprofundado de João Francisco Maia. Posto isto, Quadros (1989, p. 7) destaca no autor o «modo discreto de estar na vida, o silêncio da sua voz, quase diria que o sigilo de toda uma existência nada interessada», aspecto que ajuda a compreender a forma como hoje nos lembramos — ou não — da sua presença. Trata-se de alguém que viveu intensamente o seu tempo, sem grandes exposições públicas, do outro lado dos bastidores, mas sempre entregue à leitura e à escrita, assumindo múltiplas facetas — escritor, pensador e religioso, humanista e poeta —, tal como refere o prefaciador.

No mesmo texto, António Quadros revela ainda a preocupação de fornecer pistas para a compreensão e interpretação do nome do programa radiofónico que viria a dar título a esta empreitada editorial. Nesse sentido, considera que o PRETEXTO «radica afinal no amor» e que o TEXTO «é a expressão estética ou de beleza estilística e é sempre o fio condutor que liga este conjunto de uma centena de crónicas». Trata-se de um discurso construído a partir de alguém que vai «além das verdades medíocres de que vive a sociedade contemporânea», sem oferecer «respostas prontas para consumir, sem juízos cortantes e sem estereótipos».


Por fim, a dedicatória do exemplar existente na biblioteca da Fundação António Quadros não deixa margem para dúvidas quanto à profundidade da amizade que unia os dois intelectuais: «Para António Quadros, querido amigo a quem não sei como agradecer a benevolência do Prefácio».

 

Notas Finais

A acção de João Maia recorda-nos que a Rádio e os Jornais/Revistas devem ser, acima de tudo, lugares de pensamento e de mediação cultural, sendo exemplos daquilo que a esfera televisiva e digital deveria representar. Em tempos particularmente agitados, o percurso e obra do jesuíta João Francisco Maia sublinham a importância de uma transmissão de saberes assente na dedicação, nos afectos e no conhecimento efectivo, num contexto marcado pela aceleração do tempo e pela tendência para substituir a exigência e o rigor pela máscara do artificialismo tecnológico. Importa, assim, não deixar o Homem perder-se nos braços da técnica e da desinformação, procurando sempre «o sentido do mistério, o sentido da grandeza da Vida» (1989, p. 262).

Pessoalmente, por apreciar temas relacionados com Pedagogia, não poderia deixar de recomendar a crónica “O Dia de Amanhã”, na qual João Maia relembra, entre outros aspectos, o modo como uma juventude devidamente estimulada pode contribuir para os desafios do dia a dia. Mais ainda, o texto revela-se particularmente visionário ao antecipar que os diversos meios de comunicação podem favorecer uma «deseducação (…) avulsa e irregular». Com efeito, trata-se hoje de um dos grandes debates do nosso tempo — a forma como o acesso total e sem barreiras no universo digital pode configurar um desafio muito complexo e com efeitos destrutivos nas dinâmicas sociais e intelectuais.


Na verdade, a História oferece-nos estes génios que, através daquilo que deixam eternizado na escrita, semeiam pensamentos capazes de nos interpelar e mobilizar para a Acção, ensinando-nos que todos somos chamados a construir «um dia de amanhã verdadeiramente civilizado, limpo de terrores e sem humanidade degradada…» (1989, p. 195). Nas suas Artes, também Fernanda de Castro e António Quadros nos inspiram a Agir!

 

1 Indicativos de abertura e de fecho do programa "Tempo Literário" pelos autores, professores João Maia e João Bigotte Chorão na Emissora Nacional nos anos 70 —https://arquivos.rtp.pt/conteudos/indicativo-tempo-literario/

 

Referências Bibliográficas

Coelho, Jacinto do Prado (1978). Dicionário de literatura: Literatura portuguesa, literatura brasileira, literatura galega, estilística literária (3.ª ed., Vols. 1–5). Porto: Figueirinhas. 

Instituto Português do Livro e das Bibliotecas. (2000). Dicionário Cronológico de Autores Portugueses (ed. Titi Lyon de Castro, Vol. V). Lisboa: Publicações Europa-América.

Maia, João (1989). Textos e Pretextos (pref. António Quadros). Lisboa: Rádio Renascença.

Maia, João (1990a). “Cartas para além do tempo...” [Texto datilografado e assinado, lido na RR a 27/04/1990]. (PT/FAQ/AFC/05/00240) Fundação António Quadros.

Maia, João (1990b). “Urgente” [Texto datilografado e assinado, lido na RR a 26/01/1990]. (PT/FAQ/AFC/05/00240) Fundação António Quadros.

Trigueiros, António Júlio (2023). “João Maia, poeta analista de almas”. Bróteria — Cristianismo e Cultura. Vol.196. Disponível em https://broteria.org/pt/revistas/volume-196-4#article-249.

 

02 — Sobre o romance "Maria da Lua. História de uma casa" de Fernanda de Castro,
por Mafalda Ferro.

 


Fernanda de Castro, Maria Fernanda, Mariazinha e Maria da Lua autora/protagonista de obras infantis e juvenis era bastante diferente das meninas do seu tempo. Página a página, livro a livro, vamos conhecendo uma menina inteligente e curiosa, inocente, amante da natureza,
com sede de saber e aprender, que não gostava de bonecas, rebelde face à liberdade concedida aos seus irmãos e da qual sempre se sentiu privada enquanto criança.

 

Maria da Lua aproximava-se a correr, de regador na mão, e a tia mostrava-lhe a primeira violeta, o primeiro junquilho, o primeiro cacho de lilases. [...] e dizia coisas como esta: «Olha, Maria da Lua... parece um pássaro que quer voar e não pode... Sabia o nome de todas as flores, de todas as plantas, e dava lições de botânica à sobrinha:

 Que flores são estas, Maria da Lua?

— São açucenas.

— E estas?

— São cilindras.

— E estas?... estas?... estas?...

— Gerbérias... zínias... cinerárias... ["Maria da Lua", 1.ª edição, p.28]

 
Fernanda de Castro publica, com vários anos de intervalo, uma trilogia inspirada na sua infância: "Mariazinha em África" (1925); "Novas Aventuras de Mariazinha" (1929); e "Maria da Lua" (1945) que continua os dois primeiros livros retratando uma Mariazinha mais crescida, mas ainda inocente, em que as relações com a família continuam a ser primordiais e marcantes, retratos literários de uma menina feliz, plenos de lirismo,
talento e criatividade, embora moldados e filtrados pelo tempo e pela memória.

 

Então, avó... donde veio o mano?

— Donde vêm as flores, Maria da Lua?

— De parte nenhuma, nascem das plantas.

— E os frutos?

— Nascem das flores.

— E as crianças, Maria da Lua?

— Não sei.

— Nascem das mães, como as plantas nascem da terra.

Maria da Lua olhou-a com incredulidade e, depois, com espanto, com terror. A avó sorriu, passou-lhe a mão pela cabeça e disse:

— Está escrito no teu catecismo, Maria da Lua... Bendita sois vós entre as mulheres, bendito é o fruto do vossso ventre. ["Maria da Lua", 1.ª edição, p.118]

 
"Maria da Lua. História de uma casa" é editada pela primeira vez
no Porto, Livraria Tavares Martins, em 1945. Dedicada "A meus Pais, a meus Filhos - Anéis da cadeia", com capa e ilustração de Manuel Lapa, a obra integrou a colecção «Contemporâneos» dirigida por António Ferro, série «A» Romancistas e Novelistas. A esta edição, seis outras se lhe seguiram, tendo a última sido publicada em 2007 pelo Círculo de Leitores e pelos netos de Fernanda de Castro.


A 10 de Novembro de 1945, Fernanda de Castro recebeu uma carta de Joaquim Leitão na qual foi informada da atribuição do Prémio Ricardo Malheiros a "Maria da Lua" em sessão de 8 de Novembro da Classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa.


Recebeu o Prémio, entregue pela primeira vez a uma autora do sexo feminino, a 28 de Fevereiro de 1946 na Sala do Conselho da Academia das Ciências. Conforme citado por Júlio Dantas, presidente da Academia, pode observar-se não só o sentido humano das suas figuras como a grande penetraçãp psicológica e funda análise das almas (Século, 1-3-1946) lembrando também o dia em que o pai de Fernanda de Castro lhe dera a ler um soneto da filha, então ainda adolescente.


Uma Comissão de Senhoras prestou homenagem à autora, por motivo de ter sido o seu romance "Maria da Lua" a primeira obra de autoria feminina premiada pela Academia das Ciências.


Em Julho de 1971, a autora transformou o romance em peça de teatro (3 actos) durante uma das suas estadias na Illa Canela, altura em que  
Suzanne Chantal a traduziu para francês. No entanto, só em 1990 a peça foi publicada (com "A Espada de Cristal", outra das suas peças) pela SPA. A peça voltaria a ser publicada em "Teatro" (Obras completas de Fernanda de Castro. Lisboa: Círculo de Leitores, 2006).


A Fundação António Quadros guarda na sua biblioteca muitos exemplares das várias edições de "Maria da Lua", especialmente da 1.ª edição com dedicatórias
manuscritas:

 

Aos queridos Pais Ferro, à sua amizade que me orgulha e que há tantos anos me acompanha, ofereço este livro com a maior e a mais grata estima. Maria Fernanda, 1945.


Para a Pó com a minha ternura. Fernanda de Castro, 1945.

 
Mas a história de "Maria da Lua" inclui ainda um
ante projecto para um filme pedido por Felipe de Solmes a Fernanda de Castro, manuscrito guardado no arquivo da Fundação António Quadros.

 

O céu entristecera, carregado de nuvens negras, E a tia Emiliana fizera-lhe um vestido preto, comprido, que lhe dava pelos tornozelos, e dissera:


— 
Aproveita-se o luto para lhe deitar os vestidos abaixo e levantar-lhe as tranças. Já não tem corpo nem idade para andar de cabelos caídos e de pernas ao léu.  ["Maria da Lua", 1.ª edição, p.188]

 

03 — Reabilitação e Memória do Jardim de Infância Fernanda de Castro,
por Mafalda Ferro.


Foi com grande satisfação que tomámos conhecimento de que "O Jardim de Infância Fernanda de Castro, situado na Tapada das Necessidades vai ser reabilitada pela Câmara Municipal de Lisboa, através da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) mandatada pelo executivo de Carlos Moedas. Esta escola é parte integrante da memória e identidade da Freguesia de Estrela. A intervenção agora prevista permite valorizar o edifício, preservando a sua história e garantindo condições adequadas às exigências actuais. A obra prevê a reconstrução do edifício, que passará a ter capacidade para 75 crianças, distribuídas por três salas, bem como a requalificação das áreas exteriores, respeitando a traça histórica. Está ainda prevista a renovação completa das redes de infraestruturas e do sistema de aquecimento. Com um investimento de 4,5 milhões de euros e um prazo de execução previsto de 540 dias, esta reabilitação reforça o compromisso com a educação, a memória e o futuro da nossa freguesia." [clique AQUI, para imagens]

 

 Memória da Escola / Jardim de Infância Fernanda de Castro

Em Lisboa, predominavam as famílias carenciadas com muitos filhos e que viviam em casas muito pequenas, insalubres e sobrelotadas com alimentação deficiente, onde grassava a tuberculose pulmonar e outras doenças. A vacinação e a vigilância de saúde não estavam generalizadas e a taxa de mortalidade infantil era altíssima. […] Os equipamentos de infância eram praticamente inexistentes e as crianças passavam grande parte do dia na rua, sem vigilância. Os Parques Infantis de Fernanda de Castro vieram dar resposta a esta situação. O Primeiro Parque foi implantado no Jardim de S. Pedro de Alcântara e iniciou a sua actividade em Novembro de 1933, com 100 crianças. O pavilhão era pequeno, concebido para abrigo e para fornecer uma merenda. Cedo se verificou que a alimentação que as crianças traziam de casa, era insuficiente. O Parque passou, então, a assegurar, também, almoço completo. Em Abril de 1937,  [...] O Terceiro Parque, implantado na Tapada do antigo Palácio Real das Necessidades teve financiamento público. Com uma lotação de 200 crianças, tinha também uma escola primária. Foi inaugurado no dia 20 de Outubro de 1938, com a presença do Presidente da República. Nessa data os Parques abrangiam já 500 crianças. (Gabriela Cólon, em «Cidade Solidária», n.º 22, 2009)

 

Estatutos dos Parques Infantis, 1933

A Instituição «Parques Infantis» foi fundada em Agosto de 1933, tendo por fim instalar os Parques Infantis na capital. A Instituição visa proporcionar a menores de ambos os sexos, dos 3 aos 10 anos de idade: conforto modesto, merendas sadias, jogos e outros divertimentos próprios da idade, entretendo-os durante as horas de trabalho dos pais; leitura adequada, ensinando-os a ser amigos do seu semelhante, dos animais e das plantas; e de uma maneira geral orientar a educação moral das crianças que lhes são confiadas, de modo que a sua influência se torne decisiva na formação do seu carácter. Os Parques Infantis "serão instalados em jardins, parques ou matas compor-se-ão de jardim, de campo de jogos e de abrigo para recolher as crianças em caso de necessidade; em cada um deles haverá o pessoal estritamente necessário para a educação e vigilância das crianças".

 

No Parque Infantil das Necessidades foi criada a partir de 1943/44, a "Escola Feminina de Colmeia Infantil" (Escola Oficial/Ensino Primário Elementar) que, posteriormente, passou a designar-se EB1 n.º 128 e, a partir de Outubro 2004, "Escola Fernanda de Castro", em homenagem à sua Fundadora, por iniciativa das professoras da referida Escola. No ano lectivo de 1962/1963, entrou em funcionamento a Escola Masculina n.º 169 (mista a partir de 1974), na qual estudaram centenas de crianças.

 

Estrutura original do Parque Infantil das Necessidades

Casa pré-fabricada em madeira, edificada num espaço verde, pintada de rosa velho com grandes janelas de guilhotina em cujas floreiras suspensas havia sempre sardinheiras. A construção era circundada por um largo alpendre aberto que substituía o espaço exterior em dias de chuva. No interior, havia uma espaçosa sala onde as crianças comiam e brincavam, uma cozinha, uma copa, casas de banho, gabinete médico e sala de costura, o gabinete da directora e uma grande sala de aula para funcionamento da escola primária. Todo o interior era pintado de branco e decorado com mobílias de madeira. As janelas deixavam antever árvores e outras plantas.

 

Antes que me esqueça, vou dizer-lhes qual era a minha outra exigência: que, e aqui também era intransigente, cada parque fosse sempre frequentado por igual número de rapazes e de raparigas. Isto porque as mães tinham tendência a impingir-me os filhos, porque as filhas, coitadas, com sete, oito e nove anos já eram úteis em casa para olharem pelos mais pequenos e para fazerem grande parte do serviço da casa. Eu achava que isto era muito injusto, bastante cruel, de modo que cortei o mal pela raiz. Podiam pedinchar, choramingar à vontade, eu nunca saí da minha: cinquenta por cento de rapazes, cinquenta por cento de raparigas. (Fernanda de Castro, em Memórias (1906-1987), p. 203. Rio Maior: Fundação António Quadros, 2024)


Depois de 40 anos de entrega e dedicação às crianças, Fernanda de Castro cedeu os Parques ainda existentes à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, mas não sem previamente garantir a integração de todos os funcionários dos Parques nos quadros da Misericórdia. A partir de Janeiro de 1974, a Misericórdia passou a assegurar a manutenção e orientação da Associação Nacional dos Parques Infantis.

No dia 13 de Agosto de 1975, a Associação Nacional dos Parques Infantis cuja direcção estivera a cargo de Fernanda de Castro, Maria Luísa Cottinelli Telmo, Maria José Burnay de Gusmão, Emília de Melo Osório e Júlia de Melo Breyner, foi formalmente entregue à Misericórdia de Lisboa embora só em 1979, o Decreto-Lei referente à sua extinção tenha sido publicado.


Estima-se que ao longo dos 40 anos em que Fernanda de Castro esteve à frente dos Parques Infantis, tenham beneficiado da acção dos Parques Infantis cerca de 20.000 crianças
.

(Rosário Baptista, em Fernanda de Castro: "uma vida entre a arte de escrever e a arte de amar as crianças", 2008)

 

 
04 — Colóquio «Branca de Gonta Colaço», 80 anos depois da sua morte.
Divulgação.



A vida é uma perene renovação. É possível que volte o culto da Poesia, com todo o seu sorriso e com todo o seu perfume... 


Branca de Gonta Colaço em «A última romântica: Branca de Gonta», entrevista publicada em "Dize tu, direi eu", de Luís de Oliveira Guimarães. Lisboa: Vida Mundial Editora, 1942.


A NÃO PERDER
Colóquio «Branca de Gonta Colaço», dia 28 de Fevereiro em Tondela.



 
05 — Agostinho da Silva – Ser, Saber e Servir,
por Maurícia Teles da Silva


Associação Agostinho da Silva; Boletim Folhas à Solta n.º134


George Agostinho Baptista da Silva, nasceu há 120 Anos,
no dia 13 de Fevereiro de 1906, Porto, freguesia do Bonfim.


Pelo nascimento lembrou que tempo-espaço pode ser Eternidade

traçou o caminho em dedicação e bondade

até bom porto entre princípio e fim

novo reinício

meditando o silêncio 120 anos depois

quando a mordaça impede pronunciar claramente

aquilo que não convém a alguns,

a manipulação da informação

para ocultar a verdade e propagar a mentira,

hegemonia de grupos de poder usurpando o lugar

que foi erguido com dedicação e trabalho de outros,

continuam as premissas de alerta

entre as catástrofes que assolam os nossos dias.

Por tudo, nos acautelou o Sábio Agostinho,

eco no caminho…

 

 “Temos a poluição nas nossas cidades, uma paixão para novos mecanismos, uma avidez pelo poder, somos quase indiferentes à violência e ao terrível sofrimento dos homens e das nações; somos as vítimas da publicidade e da propaganda; e muitos, para não dizer todos os governos, são meros bandos de políticos sem escrúpulos com o objectivo de roubarem e fazerem lucros.

[...] se a História ultrapassou o nosso controlo devemos voltar à alma – isto é, à acção individual, à crença de que não há nada no mundo que consiga quebrar uma mente resoluta, calma e inteligente.

[…] Ou talvez reconheçamos que a Verdade é só para o silêncio. Devemos acreditar em nós próprios, nos nossos irmãos e numa ordem do mundo escondida e cheia de significado. Talvez haja alguém que pense que é demasiado. Eu acho que é suficiente.

     E agora vamos lutar contra os dragões. O primeiro é o ideal de um produto bruto nacional sempre crescente e um sempre mais elevado nível de vida material. Neguemos tal ideal. O que queremos é que o produto seja distribuído com justiça, isto é, com amor, e que a qualidade do nível de vida seja elevada. […]

    O segundo dragão é a informação, desde a bisbilhotice e a escola até à imprensa e a televisão. O modo de lutar é dizer a verdade, e somente a verdade, cada vez e em cada coisa, e estarmos prontos a informar quem quer ser informado.

[…] nunca apoiar erros e mentiras, nunca ficar passiva em confronto com agressões contra a nossa inteligência, o nosso poder de julgar e comparar e o nosso poder criativo. Podemos fazer isto como indivíduos, como pontos com alma.

    E eis que chega o terceiro dragão, o pior deles todos – a nossa tendência de pertencer a grupos, de ter um partido político ou uma igreja que pense por nós, de consultar ou seguir professores e gurus [...]

   Está alerta em relação à dinâmica dos grupos e de invenções skinnerianas similares. […]     

   Podes, e deves, ter ideias políticas, mas por favor, as tuas ideias políticas, não as ideias do teu partido; o teu comportamento, não o comportamento dos teus líderes; os interesses de toda a Humanidade, não os interesses de uma parte dela. E lembra-te que ‘parte’  é a etimologia de partido.”

 

Agostinho da Silva, Os Três Dragões (A forum for a better world […] Tokyo, 1973)

in, Textos e Ensaios Filosóficos II, Lisboa, 1999, Âncora editora

 

“O reino que virá é o reino daqueles que foram crucificados em todas as épocas, por todas as políticas e por todas as ideologias, apenas porque acima de tudo amavam a liberdade e a consideravam, não ao medo, às restrições e à força, como o grande motor do mundo; o reino daquele Deus que viam definindo-se fundamentalmente por não obedecer a nada e a ninguém senão à sua divina natureza; e reino que desejam para homens que não sintam obrigação alguma que não seja a de se aproximarem quanto possível da divindade de ser livre, livre no viver, livre no saber, livre no criar.

   No futuro que chega e se adiantará na medida em que o quisermos nós todos e o incorporarmos desde já à nossa existência, dentro de todas as limitações e sofrendo de todos os embates das ordens que estão condenadas a desaparecer, mas que agonizando, ferem, educação não poderá ser mais do que fornecer a cada um tudo o que solicite para que a sua pessoa se possa desenvolver e afirmar; repetindo a afirmação de que se nasce bom e capaz de tudo o que signifique amor pela vida” […]

 

Agostinho da Silva, Educação de Portugal. Lisboa, Abril 1990, Ulmeiro, pp.11,12

 

O que está bem plantado não pode ser arrancado,

O que está bem ligado não pode desunir-se.

É graças à virtude que filhos e netos

celebram escrupulosamente o culto dos antepassados.

Cultivada em si mesm(o)a

sua virtude será autêntica;

cultivada na sua família

enriquecerá;

cultivada na sua aldeia

crescerá

cultivada no Estado

será florescente;

cultivada no mundo

tornar-se-á universal.

Observamos os outros por nós próprios;

as famílias, pela nossa família;

as aldeias, pela nossa aldeia;

os Estados pelo nosso Estado;

todo o mundo, por este mundo;

Como posso saber como vai o mundo?

por tudo o que acaba de ser dito.

 

Lao Tse, in Tao Te King

 
06  Ruy Belo, o »Poeta de S. João da Ribeira»,
por Mafalda Ferro

 

O poeta Ruy Belo nasceu a 27 de Fevereiro de 1933 em São João da Ribeira (freguesia de Rio Maior, Santarém), aldeia onde nasceu, iniciou o seu percurso escolar pela mão de seus pais (ambos professores) e foi sepultado.
Terminou com distinção o exame de 2.º grau do Ensino Primário Elementar em Julho de 1944 e, de 1946 a 1951, frequentou o Liceu Nacional de Santarém.

 

 


Com 18 anos, iniciou o curso de Direito na Universidade de Coimbra que viria a terminar em Lisboa
(1954) na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, integrou o Orfeon Académico e aderiu à Opus Dei.

Concluiu em dois anos (1956/1958) o doutoramento em Direito Canónico na Universidade de S. Tomás de Aquino, em Roma, com a tese "Ficção Literária e Censura Eclesiástica".

Em 1961, recebeu da Fundação Calouste Gulbenkian uma bolsa de estudo para frequentar a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, aí vindo a licenciar-se em Filologia Românica.

Saiu então da Opus Dei que há muito o sufocava, apaixonou-se pela colega Maria Teresa Marques com quem viria a casar em 1966 e  iniciou a sua carreira literária com o livro de poemas "Aquele Grande Rio Eufrates" e a coletânea de ensaios "Poesia Nova Tentativa de Caracterização da Poesia".



 


Os pais de Maria Teresa viviam e trabalhavam em Vila do Conde, razão pela qual o casal aí passava grande parte do tempo de veraneio. Ruy Belo, amante da natureza, principalmente do mar, passava, segundo seus filhos, o dia na praia e a noite a escrever.

Entre 1967 e 1974, o casal Belo teve três filhos: o Diogo (1967), advogado; o Duarte (1968), arquitecto de formação e fotógrafo profissional; e a Catarina (1974) que herdou do pai o gosto pelos livros e pelas viagens, lecciona filosofia islâmica medieval na Universidade Americana do Cairo (desde 2006) e fala sete línguas.


Apesar de ter feito parte da Opus Dei durante cerca de dez anos, Ruy Belo foi-se afastando da Igreja, chegando mesmo a riscar dos seus anteriores manuscritos a palavra "Deus" substituindo-a por valores em que acreditava como "Liberdade" ou "Justiça".


Em 1969, Ruy Belo candidatou-se a deputado pelas listas da Comissão Eleitoral de Unidade Democrática com Francisco de Sousa Tavares, Gonçalo Ribeiro Teles, Jaime Gama, José Megre, Etelvina Lopes de Almeida, Francisco Salgado Zenha, entre outros. 
No ano seguinte, Ruy Belo comprou uma casa em Monte Abraão (Queluz), longe dos grandes centros urbanos, capaz de albergar a família e, principalmente, a sua volumosa biblioteca.

A partir de 1971, instalada a família em Monte Abraão, Ruy Belo ocupou durante sete anos, em Madrid, o cargo de Leitor de Português na Universidade, só se deslocando a Portugal  durante os períodos de férias académicas.

 


Depois de "O Problema da Habitação, alguns aspectos" (1962), "Boca Bilingue" (1966), "Transporte no Tempo" e "País Possível" (1973),  publicou "A Margem da Alegria" (1974) e "Toda a Terra" (1976).

Apesar de licenciado e doutorado, quando, em 1977, Ruy Belo regressou a Portugal, as suas relações com o "regime democrático" impediram-no de leccionar na Faculdade de Letras de Lisboa. Foi então obrigado a integrar o quadro docente nocturno da Escola Técnica Ferreira Dias, no Cacém.


Um ano antes de morrer publicou "Despeço-me da Terra da Alegria", obra considerada por muitos um hino à vida mas que, para  o poeta, foi o anúncio de uma morte há muito planeada.


Sabe-se que, a vários tempos, assumiu a direcção literária da Editorial Aster, a Chefia da Redação da revista «Rumo», dirigiu o Serviço de Escolha de Livros do Ministério da Educação Nacional e colaborou em «O Tempo e o Modo Revista de Pensamento e Acção».


Ruy Belo morreu no dia 8 de Agosto de 1978 em Queluz, vítima de um edema pulmonar. Tinha apenas 45 anos.


Maria Teresa Belo, descrita por seu marido como "A musa mais discreta e silenciosa dos meus versos" foi uma mulher extraordinária, a companheira ideal, libertando-o de responsabilidades familiares, financeiras e do quotidiano, facilitando e abrindo caminho para a sua criação literária, guardiã da sua memória, morreu em 2018 e foi sepultada na mesma campa do marido em S. João da Ribeira.

 

 Ruy Belo na Estatuária e Toponímia Nacional

 

 


Uma das mais visíveis e prolongadas formas de homenagear uma personalidade é incluí-la na toponímia nacional, atribuindo o seu nome a ruas, praças, largos ou jardins. A iniciativa parte, habitualmente, das Câmaras Municipais de cada Concelho, sendo assim possível associar esses locais à sua biografia, a lugares onde marcou presença e deixou saudades. Foram até à data localizadas:

 

Rua Poeta Ruy Belo – Rio Maior (município onde nasceu, estudou e viveu).

Rua Ruy Belo - Vale Mourão, Rio de Mouro, Sintra (município onde viveu e morreu).

Rua Ruy Belo, Queluz, Sintra (município onde viveu desde 1970 e morreu).

Rua Ruy Belo
, São Salvador, Santarém (concelho onde estudou).

Rua Ruy Belo, Vila do Conde (município onde casou e passava longos períodos de férias).

Rua Ruy Belo, Matosinhos (município de eleição).

Rua Ruy Belo, Algueirão-Mem Martins, Sintra (município onde viveu e morreu).

Praceta Ruy Belo, Alfornelos, Amadora (município onde viveu).

Jardim Ruy Belo, Parque dos Poetas, Oeiras (homenagem aos grandes poetas portugueses do século XX).

Rua Ruy Belo, Oeiras.

 

Estatuária

Busto do Poeta Ruy Belo, em São João da Ribeira. Autoria: Escultor Herculano Elias, das Caldas da Rainha.

Estátua de Ruy Belo, no Parque dos Poetas em Oeiras, considerado o «Museu de Escultura Contemporânea». 

 
07 — Congresso de História do Turismo e do Lazer.
Memória


A Fundação António Quadros foi parceira do Centro de Investigação História, Territórios e Comunidades, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa e do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, na organização do I Congresso de História do Turismo e do Lazer, que aconteceu no Centro Cultural de Cascais nos dias 15 e a 16 de Janeiro.
Reconhecem-se (da esq. para a dta): 
Cândida Cadavez, Margarida de Magalhães Ramalho, Maria Barthez, José Guilherme Victorino (sentado à esquerda)

Ao longo de dois dias, foram apresentadas cerca de trinta comunicações que convidaram a debates muito enriquecedores a propósito da história e da evolução das práticas de turismo e de lazer em Portugal. O protagonismo de António Ferro nesta matéria foi, naturalmente, evocado inúmeras vezes neste encontro, no qual a Fundação António Quadros esteve representada por diversos membros do seu Conselho Consultivo e, também, por alguns Amigos da Fundação.
O I Congresso de História do Turismo e do Lazer assumiu o compromisso de se alinhar com os seguintes Objetivos de Desenvolvimento Sustentável:
ODS 4 - Educação de Qualidade,
ODS 5 - Igualdade de Género,
ODS 12 - Produção e Consumo Sustentáveis,
ODS 17 - Parcerias para a Implementação dos Objetivos.
 
08 — Livraria António Quadros
Obras em Promoção até 14 de Março de 2026


Autoria
: Fernanda de Castro.
Título: Maria da Lua. História de uma casa. Romance.
Capa e ilustração: Manuel Lapa.
Edição: — Porto: LivrariaTavares Martins, 1945.
Colecção: Contemporâneos (fundada por António Ferro), série A-Romancistas e Novelistas.
Estado de conservação: Com marcas do tempo e fita cola na capa.
Encomendas: geral.faq@gmail.com

PVP
: 20,00 (até 14 de Março)



Autoria
: Fernanda de Castro.
Título: Maria da Lua. História de uma casa. Romance.
Edição: — Lisboa: Círculo de Leitores e herdeiros, 2006.
Colecção: Obras completas de Fernanda de Castro.
Encomendas: geral.faq@gmail.com

PVP
: 10,00 (até 14 de Março)
 
 
     
 
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