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Newsletter N.º 231 / 14 de Maio de 2026
Direcção Mafalda Ferro Edição Fundação António Quadros
ÍNDICE

 

01 — 18.º Aniversário da Fundação António Quadros (6/05/2008-2026), 13.º aniversário do protocolo com a Câmara Municipal de Rio Maior (6/5/2013-2026), por Mafalda Ferro

02 — Colóquio António Ferro. Programa

03 — Século XX: Literatura em Rio Maior: Mário Braga, António Quadros, Ruy Belo, Júlio Carreira, Fernando Duarte, por Mafalda Ferro

04 — Um Espólio Valioso: O contributo da família de José Guilherme de Sousa Espírito Santo (1925-1956) para o conhecimento e valorização do passado mineiro de Rio Maior, por Sónia Rebocho

05 — Centro de Estudos Ferreira de Castro: 25 anos. Divulgação.

06 — Festas do Espírito Santo na Arrábida, em domingo de Pentecostes, por Mafalda Ferro

07 — Inauguração das comemorações do centenário de António Telmo: Longos Dias têm cem anos, por Pedro Martins

08 — Livraria António Quadros, Obra em Promoção até 14 de Junho de 2026:


EDITORIAL, 
por Mafalda Ferro


Em homenagem ao protocolo assinado no dia 6 de Maio de 2013 pela Câmara Municipal de Rio Maior e a Fundação António Quadros (instituição riomaiorense), dedica-se a presente newsletter a Rio Maior, às suas actividades e personalidades, com especial destaque a personalidades e actividades culturais de Rio Maior ou a esta cidade associadas.

Divulgamos o Programa do Colóquio «António Ferro, 70 anos depois" em celebração da sua vida, 70 anos depois da sua morte. Gostaríamos de contar com a vossa presença, sabendo que é do interesse de todos nós conhecer melhor esta multifacetada personalidade que tanto fez em prol da cutura em Portugal, sem nunca esquecer a sua infância (1895-1910), a sua juventude em torno do modernismo e dos estudos de Direito (1911-1918), os seus tempos de jornalista, viajante e cinéfilo (1918-1932), o tempo do SPN/SNI (1933-1949) e os sete anos que, enquanto Ministro de Portugal em Berna e em Roma (1950-1956), continuou a divulgar o seu país e as suas gentes.


Partilhamos, também, o início de uma parceria com o Centro de Estudos Ferreira de Castro (CEFC), na celebração dos seus 25 anos de actividade.

Vale a pena adquirir "Princípio e outros contos", de Mário de Sá Carneiro, em promoção este mês, enriquecido com um Apêndice Documental e Notas de António Quadros, numa excelente edição das Publicações Europa-América, 1991, inserido na colecção: «Clássicos», n.º 16.

Boa leitura.

 

01 18.º Aniversário da Fundação António Quadros (6/05/2008-2026), 13.º aniversário do protocolo com a Câmara Municipal de Rio Maior (6/5/2013-2026,
Testemunho de  Mafalda Ferro

 

Em Janeiro de 1995, comecei a tratar o espólio dos meus avós, António Ferro e  Fernanda de Castro e, depois de o descrever, a família reuniu para uma tomada de decisão em relação ao futuro dos espólios do meu pai, António Quadros, e dos meus avós, Fernanda de Castro e António Ferro. A minha proposta de criar uma Fundação e integrar no seu acervo os elementos mais importantes (raros e insubstituíveis) dos referidos espólios, foi aceite por todos.

Escolhi e registei o nome. Isabel Maiorca e Luís Almeida Gomes avaliaram o acervo que, juntamente com uma doação financeira minha, foi aceite como capital inicial da Fundação. Parti, então, para a sua instituição em notário, na presença de meu irmão António Roquette Ferro, do advogado Rui Patrício Albuquerque e da notária Melanie Gomes, no dia 6 de Maio de 2008.

A morada fiscal foi, desde o início, a casa, então de família, em Vale de Óbidos, Rio Maior, retiro espiritual de António Quadros que aí escreveu os seus últimos livros. Ultrapassadas inúmeras burocracias, a Fundação foi, em Janeiro de 2009 aprovada pela presidência do Conselho de Ministros. Muitos foram os que me apoiaram nesta primeira fase: Refiro, além da família, José Carlos Calazans, Francisco d'Orey Manoel, Maria Barthez, Rui Neves da Silva (ROC), entre outros.


Nos primeiros cinco anos, a Fundação, com o apoio da FCT, presidida por José Mariano Gago, dedicou-se essencialmente ao tratamento arquivistíco dos documentos, livros e obras de arte existentes no seu acervo e ao apoio a investigadores, a particulares e a instituições.

Em 2013, fomos acolhidos pelo Município de Rio Maior e no dia 6 de Maio de 2013, assinámos um protocolo de colaboração. Estiveram presentes, além de mim, enquanto presidente da Fundação, a presidente da Câmara, Isaura Morais, a vereadora da cultura, Sara Fragoso, e a directora da biblioteca municipal, Carla Barata. A partir daí, com espaço próprio num edifício da Câmara, com o apoio dos técnicos municipais, beneficiando da isenção de pagamento de renda e serviços, a Fundação renasceu. 

A partir de então, as suas actividades multiplicaram-se, nomeadamente as relacionadas com o tratamento, recepção e incorporação de novos espólios no nosso acervo; com a realização de exposições, colóquios, workshops, visitas guiadas; com a recepção de estagiários, voluntários e de uma técnica da Câmara em horário integral; com a edição, reedição, publicação e promoção de obras literárias; com a promoção e participação em colóquios, a interacção com particulares e instituições  e, principalmente, o apoio a investigadores.


Hoje, 6 de Maio de 2026, 18 anos depois do seu nascimento, 13 anos depois da sua instalação em Rio Maior, a Fundação trabalha lado a lado com a Câmara Municipal de Rio Maior, com escolas e instituições locais, com universidades portuguesas, estrangeiras, articulando 
com investigadores, escritores, artistas, jornalistas, professores e alunos. Somos contactados por Universidades, Museus, Fundações, Associações e Instituições culturais, Companhias de Teatro e, também, por outros Municípios. Tem um site, sempre actualizado, essencialmente informativo e de consulta do nosso acervo, publicamos uma newsletter mensal e dinamizamos uma livraria online, a Livraria António Quadros, com obras que podem ser úteis aos nossos investigadores.

O executivo da Câmara não é o mesmo de há 13 anos, assim como aconteceu com a direcção da Biblioteca Municipal em cujo edifício a Fundação ocupa um espaço priveligiado. No entanto, o que não se alterou foi a amizade e o apoio com que a Fundação é tratada e acolhida em Rio Maior, estando hoje, a presidência da Câmara nas competentes mãos de Filipe Santana Dias, a Vereação da Cultura nas de Leonor Fragoso e a direcção da Biblioteca nas de David Ferreira.


A Fundação nasceu e vive em Rio Maior.
Esperamos que para sempre!

 

02 — Colóquio «António Ferro, 70 anos depois da sua morte»,
Programa


Lembrando António Ferro, 70 anos depois da sua morte, a Fundação António Quadros e o Instituto de Filosofia Luso-Brasileiro organizam um colóquio a realizar no Palácio da Independência em Lisboa e na Fundação António Quadros em Rio Maior. São 30 as comunicações que serão apresentadas, abrangendo variados temas:

 

19 de Junho: PALÁCIO DA INDEPENDÊNCIA (Lisboa)

10.30: ABERTURA

 

10.45: PAINEL I

— O Teatro de António Ferro | ANTÓNIO BRAZ TEIXEIRA

— A Estética do Poder e a Performance Crítica: Desconstruir a Exposição do Mundo Português (1940) | BEATRIZ ALBUQUERQUE

— António Ferro em Berna e Roma: Diplomacia Cultural e Propaganda do Estado Novo (1950-1956) | CARLA RIBEIRO

— Na Biblioteca de Pessoa: Vestígios de António Ferro | MARIA DO CÉU ESTIBEIRA

— Pessoa e Ferro: Tão longe, tão perto | RICARDO BELO DE MORAIS

 

12.45: ALMOÇO

 

14.00: PAINEL II

— António Ferro e o Verde-Gaio: Convergência de linguagens | ANA MARGARIDA CHORA

— António Ferro e as Faculdades de Letras e de Direito de Lisboa: Um portal do conhecimento | ANNABELA RITA

— «A Grande Kodak do jornalismo português»: António Ferro, a fotografia e a construção da imagem pública no Estado Novo | CARLOS ALBERTO OSÓRIO

— Dois modernistas, duas posturas: António Ferro e Almada Negreiros (Apontamentos em transversal) | CELINA SILVA

— António Ferro e as artes plásticas | JOSÉ CARLOS FRANCISCO PEREIRA

 

16.00: INTERVALO

 

16.15: PAINEL III

— António Quadros e a sua filiação espiritual em António Ferro | JOAQUIM DOMINGUES

— António Ferro: Ética a estética da transgressão | JOSÉ ANTÓNIO BARREIROS

— A Poesia de António Ferro | JOSÉ CARLOS SEABRA PEREIRA

— A Exposição Internacional de Nova Iorque em 1939: Convite ao escultor Delfim Maya | MARIA JOSÉ MAYA

— António Ferro visto por António Quadros: Um breve, mas incisivo retrato | RENATO EPIFÂNIO

 

18.15: APRESENTAÇÃO DE OBRAS

18.30: ENCERRAMENTO

 

20 de Junho: FUNDAÇÃO ANTÓNIO QUADROS (Rio Maior)

10.30: ABERTURA

 

10.45: PAINEL IV

— Identidade, Ideologia e Turismo: Portugal na revista Panorama (1941-1949) | ANA QUINTAS, PAULA COSTA SOARES, RUI ALEXANDRE

— Alguns apontamentos sobre a Teoria da Indiferença (1920), de António Ferro | ANTÓNIO COITO

— O Papel de António Ferro no auxílio aos refugiados intelectuais da Segunda Guerra Mundial em trânsito por Portugal (1939-1945) | FÁBIO ALEXANDRE FARIA

— António Ferro e o intercâmbio luso-brasileiro: Experiência modernista e missão cultural — Continuidade, reconfiguração ou rutura? | MARIA BARTHEZ

— António Ferro, Salazar e a “Vida Moderna”: Aspectos da participação portuguesa na Exposição Internacional de Paris (1937) | PAULO BAPTISTA

 

12.45: ALMOÇO

 

14.00: PAINEL V

— Bruxelas, um passo de Ferro na Política do Espírito | JOAQUIM PINTO DA SILVA

— António Ferro e Gabriele d'Annunzio: A aventura fiumana | JOSÉ ALMEIDA

— A Leviana, a interpenetração de linguagens numa novela modernista | PAULA OLEIRO

— D. Manuel II: O Desventurado, de António Ferro | RUI CALISTO

— «Nada é Difícil»: A Esperança e o brilho de Estrela Faria (1910-1976): Uma Artista no tempo de António Ferro | SANDRA LEANDRO

 

16.00: INTERVALO

 

16.15: PAINEL VI

— Modernidade em cena: A performance de António Ferro no Brasil de 22 | ANDREIA CASTRO

— Francis Graça: Um admirador e amigo grato de António Ferro | ANTÓNIO LAGINHA

— Mulheres de Ferro em Batalha de Flores: Corpo, escrita e vida social | FERNANDO DE MORAES GEBRA

— António Ferro no espaço familiar | MADALENA FERREIRA JORDÃO

— António Ferro e a sua paixão pelo cinema, em Portugal e no mundo | MAFALDA FERRO

 

18.15: APRESENTAÇÃO DE OBRAS

18.30: ENCERRAMENTO 
 
03  Século XX: Literatura em Rio Maior: António Quadros, Fernando Duarte, Júlio Carreira, Mário Braga, Ruy Belo,
por Mafalda Ferro

Escolhemos, hoje, cinco autores que, de várias formas, no século XX, estiveram ligados a Rio Maior: António Quadros, Fernando Duarte, Júlio Carreira, Mário Braga, Ruy Belo. De todos, por ordem alfabética, falaremos um pouco:

 

ANTÓNIO QUADROS, licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, cidade onde nasceu no dia 14 de Julho de 1923, tendo sido aluno e grande admirador de Delfim Santos, foi escritor, filósofo, tradutor, conferencista, romancista, ensaísta, poeta, professor universitário, director das Bibliotecas Itinerantes da Fundação Gulbenkian, tendo ocupado em Portugal e no Brasil inúmeros cargos associados à cultura e ao ensino. Enquanto discípulo de Álvaro Ribeiro e de José Marinho, integrou o Movimento de Filosofia Portuguesa. As suas qualidades de empreendedorismo permitiram-lhe criar uma escola de ensino superior, o IADE, fundar e dirigir as publicações «Acto», «57» e «Espiral». Traduziu Jean Cocteau, Albert Camus, Andre Maurois, Georges Duhamel, Tennessee Williams, Arthur Miller, entre outros.

A sua vida desenrolou-se entre Lisboa e Cascais até que, em 1980, descobriu em Rio Maior, na aldeia de Vale de Óbidos, o seu porto seguro, a sua calma interior, o seu retiro espiritual. Fez questão de identificar as obras que então aí produziu, assinando: António Quadros, Vale de Óbidos. Salientamos Uma Frescura de Asas (livro de certo modo premonitório da sua própria morte), o romance A Paixão de Fernando P. (escrito no início dos anos 90, já doente), obra publicada pela Fundação António Quadros com o apoio da Câmara Municipal de Rio Maior; o texto «Margarida Cepêda. A busca do infinito» (escrito no dia dos seus anos, em 1991) assinado António Quadros, Vale de Óbidos, 14 de Julho de 1991.

Durante as longas temporadas que aí passou, acolheu família e amigos, conversando longamente com amigos / vizinhos dos quais se destaca Júlio Carreira e João Aurélio, autor de "Minha Terra, Minha Aldeia: Vale de Óbidos", pensou e escreveu, escreveu muito, e envolveu-se na vida cultural de Rio Maior. Destacamos aqui algumas dessas situações:

 

4 de Novembro de 1989: Sob a presidência de Silvino Sequeira, participou na II Feira do Livro de Rio Maior, 1.ª semana cultural do concelho de Rio Maior, integrada nas comemorações do seu 153.º aniversário com a palestra  «Cultura, o que é?»; 22 de Fevereiro de 1991: Esteve na Escola Secundária de Rio Maior onde proferiu a palestra «Fernando Pessoa: Poeta da diversidade» em que, segundo J. Maurício, o orador mostrou-se um profundo conhecedor da obra de Pessoa e utilizou uma linguagem simples, clara, alegre e objectiva, característica não muito comum, infelizmente, nos professores universitários («Região de Rio Maior», 26 de Março de 1993 [no mês da sua morte]); 19 de Maio de 1991: As suas "Trovas para o Menino Imperador" no dia de Pentecostes, com música de Maurícia Teles, foram lidas e cantadas na Igreja de Rio Maior, no Domingo de Pentecostes.

 

António Quadros morreu em Lisboa no dia 21 de Março de 1993. A casa de Vale de Óbidos tornou-se, a 6 de Maio de 2008, sede da Fundação António Quadros, criada nesse dia por sua filha Mafalda Ferro. Cinco anos depois, a Fundação foi formalmente acolhida e passou a ser apoiada pela Câmara Municipal de Rio Maior. No ano do centenário do seu nascimento, a Câmara deu o seu nome a um jardim: O «Jardim António Quadros», ao lado da Biblioteca Municipal.

 

FERNANDO  (ANTÓNIO) DUARTE, filho de Cacilda da Fonseca Esperança e de António da Conceição Duarte, nasceu no dia 28 de Julho de 1928 em Rio Maior. Frequentou o liceu de Santarém, tendo-se tornado uma das maiores figuras do panorama cultural de Rio Maior.

Em 1955, casou com Maria Fernanda da qual teve dois filhos: Fernando José (1955) e Fernando António (1960).

Solicitador judicial, intercalou esta sua profissão, com áreas de interesse maioritariamente ligadas a Rio Maior, à imprensa, à literatura e ao cinema, como profundo cinéfilo que era.

Muito ligado à imprensa regional, colaborou no «Concelho de Rio Maior», «Gazeta do Sul» de Montijo, «Comarca de Alcobaça», entre outros, director do «Jornal de Rio Maior», do «Jornal da Marinha Grande», «Recorte», e «Selecção». Foi co-fundador com Armando Pulquério, Feliciano Júnior e João Lopes da 3.ª série de «O Riomaiorense» (1949) que dirigiu até 1965, retomando o título do primeiro jornal de 1893 e segunda série de 1912/1921.

Fundou o cineclubismo em Portugal e o Cine-Clube de Rio Maior (1952), editou as revistas de cinema «Celulóide» e «Vector»; dirigiu o «Diário Feminino» (1970) e o «Ribatejo Ilustrado» que fundou em 1967. Foi director do Festival Internacional de Cinema de Santarém, desde 1971, ano da sua criação. Realizou documentários como «O Pequeno Rio Maior» (1960) e, em Santarém, criou o primeiro programa semanal de cinema da Rádio Ribatejo que manteve até 1963.


Publicou diversas obras sobre Rio Maior e sobre a História do Cinema das quais se destaca "Bases Teóricas do Cinema" (1952), "História do Cinema" (1956) "Primitivos do Cinema Português" (1960), "Rio Maior. Estudo da Vila e seu Concelho" e "História de Rio Maior" (1979), tendo sido também co-autor com Georgette Goucha e J. A. Calado da Maia de "Marinhas de Sal de Rio Maior - Oito Séculos de História: 1177-1977" (1977).


Além dos referidos livros, publicou inúmeros artigos na imprensa e cerca de 30 opúsculos sobre temas literários, cinematográficos e artísticos, dedicados a figuras como Jean Paul Sartre, Eça de Queiroz, Françoise Sagan, Trindade Coelho, Hemingway, Hitler, Tolstoi, Aquilino, Júlio Dinis, Picasso, Garrett, Gorki, Shakespeare, Camilo, Leitão de Barros e Charlot, Alexandre Herculano.


Viajou por quase todos os países da Europa, incluindo a Rússia.

Morreu no dia 24 de Julho de 1985. Tinha 57 anos.

A Câmara Municipal de Rio Maior prestou-lhe homenagem, atribuindo, no ano da sua morte, a 6 de Agosto, uma rua com o seu nome e, em 1993, entregou ao seu filho Fernando José Duarte, a Medalha do Concelho, tendo ainda, em 2009, encomendado ao escultor Armando Ferreira o seu busto que colocou no foyer do Cineteatro de Rio Maior.

 

JÚLIO CARREIRA (PEREIRA DE ALMEIDA), nasceu em Rio Maior no dia 25 de Junho de 1923. A sua formação conduziu-o a uma actividade profissional que passou por cargos associados à contabilidade e ao ensino na Escola Comercial de Rio Maior.

No entanto, os seus interesses culturais, associativos e literários, o seu espírito crítico, conduziram-no a uma profícua actividade jornalista, tendo escrito um incalculável número de artigos associados às suas próprias vivências, aos locais onde residiu, às actividades de outros riomaiorenses e da sua câmara municipal que publicou na rubrica semanal «Conversas Vadias» em Rio Maior e, também, ocasionalmente no «Jornal de Notícias».


Júlio Carreira exerceu notável actividade política, cultural e associativa em Rio Maior; presidiu à Assembleia Municipal no mandato de 1977-1979 e foi deputado nos mandatos de 1980-1982, 1983-1985 e 1986-1989; colaborou no jornal regionalista «Vida Social», no jornal local «O Zé», na 4.ª série do jornal «O Riomaiorense» e durante os dois primeiros anos do «Diário do Ribatejo» (1967-1968) nos quais, sob a direcção de J. A. Calado da Maia e a direcção adjunta  de Fernando Duarte, publicou 250 atigos. Fez parte do elenco do Grupo Cénico Zé P’reira e pertenceu ainda à direcção da Associação dos Bombeiros Voluntários de Rio Maior.


Viveu a maior parte da sua vida em Rio Maior, tendo, no entanto, durante uns anos na década de oitenta do século XX, residido com sua mulher Aurora Blandine de Almeida Castelo, em Vale de Óbidos, na rua Capitão Castelo, assim nomeada em homenagem a seu sogro, Joaquim Simões Castelo. Foi, nessa altura que travou amizade com o seu vizinho do lado, o filósofo António Quadros, com quem, à tardinha, se perdia em conversas ligadas ao intelecto e às coisas do espírito nas quais se falava de Pessoa, de Agostinho da Silva, entre muitos outros e, sobre quem escreveu vários artigos.


Teve dois filhos, o Sérgio e a Marília Carreira Castelo cuja filha, Susana era amiga de duas das netas de António Quadros, primas entre si, a Margarida  e a Marta Gautier.


Durante o seu período valdobidense, chamemos-lhe assim, foi sócio-fundador da Associação Representativa Desportiva e Cultural (ARDC) de Vale de Óbidos.


No dia 4 de Abril de 1981, aquando do abastecimento de água ao domicílio, implantado pela Câmara Municipal de Rio Maior com a colaboração dos habitantes, o Sr. Júlio Carreira, na qualidade de presidente da Assembleia-geral da Associação Recreativa, Desportiva e Cultural, assim disse: "Nestas terras pequenas, a inauguração do abastecimento de água ao domicílio constitui um melhoramento de extrema importância, satisfazendo uma das mais justas aspirações das populações. E nestas terras pequenas, esquecidas tantos anos pelas terras grandes, vive, no coração de cada um, o sentimento do desejo insatisfeito, refreado, durante longos anos, fazendo instalar, bem no fundo da alma de cada homem, de cada mulher e, mesmo, de cada criança, um pensamento de revolta».


Pouco depois, Júlio Carreira viria, também, a pronunciar-se sobre este assunto na imprensa riomaiorense: "De fins de Agosto a fins de Março, o povo de Vale de Óbidos instalou o abastecimento de água, porta a porta. Foram sete meses de labuta, pela mão da Câmara, mas com o "sangue, o suor e as lágrimas", da população dinamizada pelos corpos directivos da sua Associação, que não se limita a ser só Recreativa, Desportiva e Cultural. A falta de água, a impossibilidade de a Câmara Municipal dar resposta, por si só, às necessidades de todo o concelho e a ânsia de ter água corrente, levaram o povo de Vale de Óbidos a unir-se. [em "A preto e branco", de Augusto Araújo. Vale de Óbidos, 2011, pp.27/29]

 

Nunca se fez nada em Vale de Óbidos de índole associativa que não levasse o seu timbre.

João Aurélio, em "Minha Terra, Minha Aldeia: Vale de Óbidos".

 

A Câmara Municipal de Rio Maior prestou-lhe homenagem, inaugurando a Rua Júlio Carreira na cidade onde nasceu, residiu e morreu e, em 1991, a título póstumo, entregando à família a Medalha do Concelho.

 

MÁRIO BRAGA, licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, cidade onde nasceu a 14 de Julho de 1921, foi romancista, contista, dramaturgo, tradutor, professor e jornalista português. Escreveu dezenas de obras das quais se destaca o seu livro de contos. "Serranos", obra inspirada, nos tempos em que leccionava na Lousã.

Destacou-se como tradutor, tendo traduzido obras de Molière, Racine, Beaumarchais, Guy de Maupassant, Cervantes, Tchekov e Gorki.


O seu centenário de nascimento foi assinalado pela Fundação António Quadros, pelos habitantes da Lousã e pelo Centro Nacional de Cultura. Duarte Ivo Cruz assim se lhe referiu:


Foi professor, foi dirigente de entidades culturais e literárias em si mesmas, no ensino superior, na Fundação Calouste Gulbenkian, em universidades e em numerosas entidades ligadas ao ensino e à gestão da cultura. E desenvolveu obra relevante como escritor e como dirigente de entidades de projecção e prestígio. Escreveu dezenas de obras, entre criatividade e análise histórica e literária, além de desempenhar funções de relevo em si mesmas consideradas.


António Quadros, amigo de M. Braga desde a juventude, recebeu do amigo uma grande parte das suas obras, com dedicatórias manuscritas, que pertencem hoje ao acervo da Fundação António Quadros em Rio Maior. A Fundação preserva também um conjunto epistolar de sua autoria para António Quadros e para Manuel Tânger Corrêa.


O tempo passado por Braga em Rio Maior durante as suas visitas à filha Ana Braga, desde 1991 até à sua morte, deveu-se ao facto de esta aí trabalhar como professora e orientadora nas escolas Fernando Casimiro e Dr. Augusto César da Silva Ferreira, residindo (até hoje) na Casa da Caldeira, em Correias, freguesia de Outeiro da Cortiçada, Rio Maior.


Mário Braga ignorava, então, que o seu velho amigo Quadros (já doente), tinha casa e passava longas temporadas no mesmo município desde 1980. Aliás, nenhum dos dois podia prever que as respectivas filhas Ana Braga e Mafalda Ferro se conhecessem na Fundação António Quadros, em Rio Maior e ficassem amigas.


Mário Braga morreu há 10 anos, no dia 1 de Outubro de 2016 em Lisboa. Tinha 95 anos. O seu espólio foi entregue pela família ao Museu do Neo-Realismo em Vila Franca de Xira.

 

RUY BELO, nascido no dia 27 de Fevereiro de 1933 em S. João da Ribeira, Rio Maior, frequentou, 1942/1946, a escola da sua aldeia-natal, na qual os pais, ambos professores, leccionavam. A partir de então, e até 1951, estudou no Liceu de Santarém, continuando a viver em casa. Posteriormente (1951-1954), frequentou os 3 primeiros anos do Curso de Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Completou o curso na Universidade de Lisboa (1956-1958) e terminou, em dois anos, o doutoramento em Direito Canónico na Universidade de S. Tomás de Aquino em Roma com a tese «Ficção Literária e Censura Eclesiástica». Em Lisboa, até 1960, proferiu palestras, escreveu e assumiu diversos cargos literários, editoriais e educativos. Em 1961, recebeu uma bolsa da Fundação Gulbenkian que lhe permitiu licenciar-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde conheceu a sua futura mulher, Maria Teresa Carriço Marques; publicou o seu primeiro livro de poesia "Aquele Grande Rio Eufrates" e a colectânea de ensaios "Poesia Nova" tendo, em 1962, oferecido um exemplar com dedicatória manuscrita a António Quadros. As obras multiplicaram-se. Através da sua obra poética, reconhece-se a força da sua infância em S. João da Ribeira: «Na minha juventude antes de ter saído / da casa de meus pais disposto a viajar /  eu conhecia já o rebentar do mar / das páginas dos livros que já tinha lido // Chegava o mês de Maio era tudo florido / o rolo das manhãs punha-se a circular / e era só ouvir o sonhador falar / da vida como se ela houvesse acontecido // E tudo se passava numa outra vida / e havia para as coisas sempre uma saída / Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer // Só sei que tinha o poder duma criança / entre as coisas e mim havia vizinhança / e tudo era possível era só querer».

Casou a 21 de Maio de 1966 com Maria Teresa na Igreja de Sta. Clara, em Vila do Conde, terra-natal da noiva. Recém-casado, enquanto sua mulher dava aulas, Ruy traduzia obras de Saint Exupéry, Montesquieu, Blaise Cendrars e Raymond Aron, tendo também traduzido (a partir da edição argentina de publicada por Emecé Editores. Buenos Aires), os poemas de Jorge Luís Borges (escolhidos pelo autor).


Quando o casal estava de férias em destinos costeiros como a Praia da Consolação, Praia da Guia em Peniche, Cascais e Estoril, o poeta passava o dia na praia e a noite a escrever. A sua relação com a natureza era forte e profunda.


O casal teve três filhos: Diogo (1967), Duarte (1968), e Catarina (1974). Vivendo com a família em Monte Abraão (Queluz), aceitou o cargo de Leitor de Português na Universidade de Madrid e aí deu aulas até 1977, ano em que regressou a Portugal. No ano anterior à sua morte, publicou "Despeço-me da terra com alegria".


Morreu em casa, Queluz, a 8 de Agosto de 1978. Tinha 45 anos. Foi sepultado na sua terra natal, no cemitério de S. João da Ribeira, na mesma campa onde, quarenta anos depois, em 2018, seria também sepultada sua mulher.


Em Rio Maior, a Câmara inaugurou a «Rua Poeta Ruy Belo e, em S. João da Ribeira, um busto do poeta, obra do escultor Herculano Dias.


Noventa anos depois da sua morte, a Fundação António Quadros e a Câmara Municipal de Rio Maior prestaram-lhe uma sentida homenagem inaugurando a exposição biográfica «Ruy Belo, para onde o vento o levou» que esteve patente na Rua Poeta Ruy Belo.

E OUTROS...


Passaram ainda, posteriormente, por Rio Maior, escritores como Natália Correia (que aí pernoitou), Rita Ferro (que aí viveu durante muitos anos), Catarina Abreu (que aí reside) e muitos intelectuais e artistas que, no âmbito das actividades da Fundação, aí proferiram palestras, fizeram investigações, participaram em actividades ou foram premiados.

Destacamos apenas alguns, como Ada de Castro, Ana Maria Magalhães, António Braz Teixeira, Cesário Borga, Francisco Pinto Balsemão, Guilherme de Oliveira Martins, José Cid, Maria Ana Bobone, Maria João Lopo de Carvalho, Mário Zambujal, Marta Gautier, Richard Zenith, Salvador Martinha ou Teolinda Gersão, que também contribuíram para o crescimento cultural do Município.

 
04 — Um espólio valioso: O contributo da família de José Guilherme de Sousa Espírito Santo (1925-1956) para o conhecimento e valorização do passado mineiro de Rio Maior,
por Sónia Rebocho (Técnica Superior de Investigação, Arqueologia e Património – UDCT – Câmara Municipal de Rio Maior)

 

O espólio doado: No passado dia 8 de Maio decorreu o momento inaugural da Exposição «Memória e Identidade: O Complexo Mineiro do Espadanal», na Biblioteca Municipal Laureano Santos, em Rio Maior. A referida mostra visou divulgar o espólio doado por João Luís Oliveira Espírito Santo e respectiva família ao Município de Rio Maior. Este acervo pertenceu a seu pai, José Guilherme de Sousa Espírito Santo, e encontra-se intrinsecamente associado à actividade que este desenvolveu enquanto Director Técnico na Empresa Industrial Carbonífera e Electrotécnica, S.A.R.L. (EICE), concessionária das Minas de Lignite e de Trípoli de Rio Maior. Compõem o valioso espólio os seguintes elementos:

Objectos:
caixa com três briquetes, gasómetro;

Documentos:
Planta de Traçagem – Esquema de Esgotos – Esc. 1:3000; Plano de Lavra do Couto Mineiro do Espadanal; Autos de Visita – Couto Mineiro de Trípoli de Rio Maior 9-I (1935-); Autos de Visita – Couto Mineiro do Espadanal 13-I (1945); Licenciamento das Instalações Eléctricas de Rio Maior; Empresa Industrial, Carbonífera e Electrotécnica, Lda. – Minas de Rio Maior - C. 166 n.º 17; Tirocínio nas Minas de Rio Maior (relatório de estágio, 1956); 119 fotografias de diversas dimensões; 49 negativos fotográficos.
A informação contida na referida documentação reporta a diversos aspectos associados à actividade produtiva mineira, quer de lignite, quer de diatomito, no hiato temporal entre as décadas de 1940 e 1960. O acervo ilustra e esclarece, entre outros aspectos, sobre a instalação da linha férrea Rio Maior-Vale de Santarém, a remodelação do plano inclinado de extracção, a construção da unidade de secagem e briquetagem de lignites e da central de vapor e energia, bem como a edificação da icónica chaminé desta central, com 64 metros de altura e 2,5 metros de diâmetro.

 


     Nota biográfica:
José Guilherme de Sousa Espírito Santo nasceu a 4 de Abril de 1925, em Leiria. Frequentou os primeiros anos de escolaridade na sua cidade natal e os últimos em Lisboa, onde concluiu a licenciatura em Engenharia Civil e de Minas no ISEL – Instituto Superior de Engenharia de Lisboa. O estágio do referido curso foi realizado no Complexo Mineiro riomaiorense e o respectivo relatório, intitulado “Tirocínio nas Minas de Rio Maior”, data de 8 de Maio de 1956.

Volvidos cerca de quatro anos, em 1960, regressou a Rio Maior como funcionário da empresa concessionária, assumindo ulteriormente o cargo de Director Técnico, função que desempenhou até ao encerramento da laboração em 1969.

   Breve resenha sobre a exploração de lignite e diatomito em Rio Maior:
A descoberta de lignite em Rio Maior, o registo das primeiras jazidas e os trabalhos de extracção, iniciados em 1915, encontram-se documentados na segunda série do jornal O Riomaiorense, por António Custódio dos Santos. Este aliou à sua actividade principal de comerciante, o jornalismo, uma profícua participação cívica e a faceta de impulsionador da exploração daquele combustível fóssil na região.

No contexto da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), perante a escassez generalizada de combustíveis, o Governo Português viu-se na contingência de encontrar soluções entre fronteiras. Apesar de se tratar de “um combustível de inferior qualidade” (1), a utilização da lignite permitiu mitigar as necessidades energéticas da época. Nessa fase, foi estabelecido um plano de trabalhos entre a Direcção-Geral de Minas e Serviços Geológicos e a empresa concessionária, visando o reforço da produtividade. Este plano contemplou não só o incremento da tonelagem extraída, mas também a introdução de soluções inovadoras ao nível da secagem de lignite, assim como a construção de um caminho-de-ferro mineiro. Adicionalmente, se até à década de 1940 a extracção se processava por um sistema de poços verticais, a partir de 1942 — face às características do jazigo e a imperativos económicos — a opção recaiu na exploração através de plano inclinado.

Findo o conflito mundial, a concorrência de minérios estrangeiros originou uma quebra abrupta da procura, o que impôs o desafio do escoamento do produto. Com base nos compromissos assumidos pelo Estado perante a EICE, Lda., e após a negociação de diversas variantes estratégicas, foi aprovada em 1951 a construção das supracitadas unidade de secagem e fabrico de briquetes e da central elétrica, ambas implantadas na proximidade da "Boca da Mina" e alimentadas pelo minério local. Em paralelo, procedeu-se à remodelação integral do plano inclinado de extracção e à introdução de melhorias significativas ao nível das receitas interior e exterior.


      Concomitantemente à extracção de lignite, a concessionária alocou recursos à exploração do jazigo de diatomito, embora de forma subsidiária. O Couto Mineiro de Trípoli de Rio Maior compreendia, à época, cinco concessões. O plano de lavra inicial previa exclusivamente a exploração a “céu aberto”. Contudo, verificando-se a existência de camadas de diatomito a maior profundidade, com propriedades mais consentâneas com as exigências do mercado, foi elaborado um novo plano de lavra contemplando a extracção por via de plano inclinado.

     Memória colectiva e identidade local:
Após a cessação da actividade desenvolvida no Complexo Mineiro em 1969, perdurou — e subsiste até à actualidade na comunidade riomaiorense — um profundo sentimento de vinculação afectiva à antiga “Mina do Espadanal”. Embora escasseiem os depoentes directos que experienciaram o funcionamento quotidiano do interior deste complexo, uma vasta parcela dos habitantes de Rio Maior descende de antigos mineiros ou vivenciou a laboração, por proximidade física, o que torna o vínculo identitário uma realidade tangível. Mesmo para aqueles que nasceram em momento posterior à paralisação da actividade mineira, a ligação a este património edificado é reforçada diariamente pela proximidade física e visual do que subjaz das antigas instalações, adjacentes a uma das principais artérias da cidade, a Avenida Mário Soares.

 

Nota: (1) Decreto-Lei n.º 32270, D. do Governo, Série I, de 19 de Setembro de 1942.

Referências bibliográficas

O Riomaiorense: semanário republicano, noticioso, literário, pedagógico, científico e recreativo (2.ª Série), 1912-1921.

SANTO, José Guilherme de Sousa Espírito. Relatório do tirocínio efectuado na Empresa Industrial Carbonífera e Electrotécnica – S.A.R.L. concessionária das Minas de Lenhite e Tripoli de Rio Maior. Relatório de Estágio de Licenciatura em Engenharia Civil e de Minas – ISEL – Instituto Superior de Engenharia de Lisboa, Lisboa, 1956.

 

05  Centro de Estudos Ferreira de Castro: 25 anos.
Divulgação.

O Centro de Estudos Ferreira de Castro (CEFC), sob a presidência de Carlos Castro, está localizado em Oliveira de Azeméis, desde a data da sua criação em Março de 2001, há já um quarto de século, contando com o apoio da sua Câmara Municipal. Até então, não existia nenhuma instituição que se ocupase exclusivamente da obra deste escritor.

O CEFC, instituição de referência para investigadores portugueses e estrangeiros, tem como objectivo a divulgação da cultura, da memória e da valorização da obra de Ferreira de Castro, tarefa que tem vindo a desenvolver ao longo de 25 anos, contribuindo para a cultura e identidade do concelho e do país, bem como  para a  inserção de Oliveira de Azeméis no panorama literário português.


É
 com satisfação que partilhamos o momento em que o Centro de Estudos Ferreira de Castro recebeu um voto de louvor da Assembleia Municipal de Oliveira de Azeméis, a 30 de abril de 2026 - https://youtu.be/6FhkyfXuZ5s?si=WmwRUXQBb8XAWR2C.

Em celebração desta efeméride e em homenagem a Fernanda de Castro e à amizade entre Ferreira de Castro e a Família Castro e Quadros Ferro, a Fundação A.Q. e o CEFC, numa profícua parceria, preparam para publicação, ainda este ano, um epistolário com inúmeros textos anexos, coordenação de Cristiana M. Oliveira e Mafalda Ferro. Prepara-se a apresentação deste livro, em Rio Maior para o mês de Dezembro, mês em que a Biblioteca Laureano Santos em Rio Maior completa 25 anos de existência (2001-2026).

A Biblioteca Fernanda de Castro (da Fundação António Quadros) possuía já no seu acervo inúmeras obras literárias de Ferreira de Castro mas, por coincidência, recebeu no passado mês uma doação proveniente da biblioteca particular de Francisco Moraes Sarmento com as mais monumentais obras deste autor que podem agora ser consultadas em Rio Maior. O inventário desta biblioteca pode ser consultado no site da Fundação A.Q. 

 

06 — XXXV Festa do Espírito Santo na Arrábida, em domingo de Pentecostes,
por Mafalda Ferro

 

A  Associação Agostinho da Silva e o Convento Sonho convidam para a 35.ª Festa do Espírito Santo, no dia 24 de Maio de 2026, Domingo de Pentecostes, que terá lugar no Convento da Arrábida - Setúbal, conforme programa.

Com grande pena, não poderei estar presente mas, em nome da Fundação António Quadros e em meu nome pessoal enquanto filha de António Quadros, agradeço a Maurícia Teles, presidente da Associação Agostinho da Silva, que não tem deixado morrer a amizade entre Agostinho da Silva e António Quadros da qual brotou, em Maio de 1991, a primeira Festa do Espírito Santo na Arrábida. O meu pai esteve presente, bem como as suas "Trovas para o Menino Imperador" no dia de Pentecostes que, para esse dia, foram escritas e que são todos os anos, nestas festas, cantadas, tocadas e musicadas por Maurícia Teles. 
MAFALDA FERRO



No dia 19 de Maio de 1991, foi assim:


Maurícia Teles escuta António Quadros
António Quadros e sua mulher, com Paulo Borges e Carlos Raposo Nunes
 
07 — Inauguração das comemorações do centenário de António Telmo: Longos Dias têm cem anos,
por Pedro Martins

 

Desde o passado dia 2 de Maio, dia do aniversário natalício de António Telmo, que o Projecto António Telmo. Vida e Obra havia começado a contagem decrescente para o centenário do seu patrono, que ocorrerá já em 2027. E uma semana depois, a 9, no Atelier da Graça, ao cimo da Rua do Vale de Santo António, em Lisboa, iniciaram-se as comemorações da efeméride, com o lançamento de Quem Cresceu Assim? Tomé Natanael!”, livro sobre os episódios da infância do filósofo, com texto de Risoleta C. Pinto Pedro e ilustrações de Gabriel Pedro Martins, seu neto, agora com 6 anos, mas que as desenhou aos 5.

Este livro traz já o logotipo das comemorações centenárias, da autoria da jovem designer sesimbrense Ema Francisco, que recentemente renovou a imagem da Antena 1, da Antena 2 e da Antena 3, e que tem por alma mater o IADE, essa notabilíssima instituição fundada por António Quadros, condiscípulo dilecto de António Telmo. 

A sessão lisboeta teve casa cheia e a transbordar: cerca de 60 pessoas acorreram ao Atelier da Graça, um espaço artístico multidisciplinar superiormente dirigido pela arquitecta Ana Garcia que promove o acesso às artes através de oficinas para crianças e adultos, exposições e acolhimento de iniciativas culturais, e onde no passado sábado marcaram ainda presença Pedro Martins, coordenador do Projecto António Telmo. Vida e Obra, que levantou a ponta do véu sobre as comemorações centenárias, e Alexandre Gabriel, o editor da Zéfiro, proverbial chancela do universo télmico que publicou este novo livro com o selo da Colecção Sopros Infantis.

A Professora Helena Maria Briosa e Mota, escritora, proba e ímpar investigadora, reputada especialista da obra de Agostinho da Silva, mormente na vertente educativa, e amiga de Agostinho e de Telmo, apresentou a obra de um modo que a todos tocou profundamente.

Depois das intervenções dos dois autores, quatro notáveis declamadoras leram alguns episódios do livro, que haviam já sido narrados por António Telmo nas Páginas Autobiográficas do III volume das suas Obras Completas, em curso de publicação na Zéfiro: Célia Aldegalega, poetisa, escritora e gestora de artes, Luiza Souza Martins, terapeuta, formadora e poetisa, e, propositadamente vindas de Évora, Mara Rosa, ceramista, desenhadora e poetisa, e Maria Sarmento, que, para além de ter sido amiga de António Telmo, é uma consagrada poetisa que todos admiram. A inauguração de uma exposição de desenhos do ilustrador e uma venda de postais baseados em desenhos seus, cujas receitas reverteram a favor da ACAPO, culminaram um dia festivo e de intenso convívio.  

Por uma feliz coincidência, no dia seguinte, 10, com sessões às 11:00 e às 17:00 (ambas esgotadas), estreou em Setúbal, no Auditório Bocage, não propriamente à margem, mas em paralelo com o início das comemorações, a ópera para bebés (mas a todos destinada) Quem roubou o leão?, com música de Rodrigo Leão e libreto de Risoleta C. Pinto Pedro. 

     Esta ópera inspira-se em histórias da infância e da adolescência de António Telmo, aqui revisitado nas suas primícias de Moçâmedes e nos verdes anos de Arruda dos Vinhos através da personagem de Guilherme Telmo. Produzida pela Associação Setúbal Voz sob a direcção artística do maestro e compositor Jorge Salgueiro, a ópera foi interpretada pelos cantores Constança Melo (soprano) e João Merino (barítono), e teve encenação colectiva, cenário e figurinos de Maria Madalena, corporalidade de Iolanda Rodrigues e acompanhamento científico da psicóloga Rute Silva. Sobre o libreto, que conhecera já uma leitura pública no dia 15 de Abril, na Escola Secundária Lima de Feitas, em Setúbal, escreveu ainda Pedro Martins, a convite da Setúbal Voz, um texto de análise filosófica.

Longos dias têm cem anos, mas convém começar pelo princípio. Foi isso que agora fizemos com o filósofo da razão poética!  

Créditos das fotos: Foto 1 – Atelier da Graça; Foto 2 – Setúbal Voz

 

08 — Livraria António Quadros
Obra em Promoção até 14 de Junho de 2026



Autoria:
SÁ-CARNEIRO, Mário de [1890-1916]

Título:  Princípio e outros contos.

Introdução, Apêndice documental e notas: António Quadros.

Colecção: «Clássicos», n.º 16.

Edição — Lisboa: Publicações Europa-América, 1991.


Encomendas:
geral.faq@gmail.com

PVP: 12,00 (até 14 de Junho): 
 
 
     
 
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