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Fundação António Quadros
EDITORIAL, por Mafalda Ferro Imprimir e-mail

A Fundação António Quadros - Cultura e Pensamento tem por fim o estudo e a divulgação do Pensamento e da Obra de António Quadros, Fernanda de Castro, António Ferro, Augusto Cunha, Germana Tânger e de quaisquer outras personalidades de mérito.

 

Prémio António Quadros 2019 Empreendedorismo: a grande vencedora, Isabel Jonet.  
Inspirando-se no empreendedorismo dos seus mentores, a Fundação António Quadros decidiu este ano premiar uma personalidade de destaque nessa área. Francisco d'Orey Manoel, vice-presidente da Fundação António Quadros e director do Arquivo Histórico da Misericórdia de Lisboa, assumiu a presidência do júri e convidou as diversas personalidades que constituem o júri.

 

No Dia da Mãe: Heloísa Cid e a sua inesquecível Quadra,

 

por Fernanda de Castro e Mafalda Ferro.

No Dia da Mãe, lembrei-me de uma quadra e de uma grande amiga...

[…], Heloísa Cid, autora daquela linda quadra que corre o País de ponta a ponta, que todos sabem que é linda, mas poucos sabem que é dela. Como «o seu a seu dono», aproveito a ocasião para a tirar definitivamente do anonimato a que os outros e a sua autora irritantemente a votaram. Eis a quadra:

 

Com três letrinhas apenas

se escreve a palavra Mãe

que é, das palavras pequenas,

a maior que o mundo tem.

 

Aliás, esta modéstia ou esta indiferença, como lhe queiram chamar, é velha e piora de ano para ano. Quem sabe hoje que teve o Prémio Fialho de Almeida, com o seu único livro de contos, Vidas Cercadas? Quem sabe que tem uma gaveta atafulhada de belos poemas, «se é que a traça ainda não os devorou»? Porque procede ela assim? É difícil de explicar. Há evidentemente a dificuldade de encontrar editor, mas, se outros com menos ou nenhum talento encontram, porque não havia ela de encontrar? [Fernanda de Castro, em "Ao Fim da Memória I]

 

E adiante:

Hoje, terça-feira, ninguém tenha dó de mim: é o dia do meu bridge semanal, um bridge que já é hábito mas de que nenhuma de nós ainda se fartou. A Inês [Guerreiro], muito pontual, é a primeira a chegar, seguida de perto pela Heloísa; depois é a vez da Guida [Margarida Homem de Sousa], que chega às vezes atrasada por causa de horários e reuniões da escola. À hora do chá, aparece muitas vezes a Manuela e mais raramente a Elvira [de Freitas]. Jogamos, caturramos, a Heloísa obstina-se a abrir com doze pontos quando está vulnerável, a Inês boceja mas jura que não é por estar aborrecida, a Guida, a melhor das quatro, apanha cabides para defender o róber, e eu, com a minha pouca vista, misturo os oiros com as copas e os paus com as espadas, mas tudo isto faz parte deste bridge pacato, em que, na pior das hipóteses, as perdas e os ganhos andam à volta de vinte escudos. Às vezes, porém, apetece-nos ouvir música, e então, ao fim da tarde, pomos de parte as cartas e o pano-verde e entram em cena os discos da minha pequena mas boa discoteca – a não ser nos dias de sorte em que a Guida traz a viola ou a Elvira se resolve a sentar-se ao piano e a tocar qualquer coisa para, passados momentos e sem dar por isso, começar a improvisar, com o seu talento tão mal aproveitado. [Fernanda de Castro, em "Ao Fim da Memória I]

  

Tive o privilégio de conhecer muito bem Heloísa Cid e de merecer a sua ternura. Lembro-me de, no liceu, dizer às minhas amigas que conhecia a autora daquela quadra e, porque havia quem disso duvidasse, ficava triste.

 

O meu irmão António disse-me recentemente que Heloísa Cid era tia do cantor José Cid, parentesco que eu desconhecia.

 

Heloísa Cid foi, desde o início dos anos 60 quando a minha avó a conheceu, uma das suas grandes amigas que a ajudou em todos os seus projectos.

 

A tia Heloísa como era tratada por todos nós, os miúdos, era uma mulher calma, discreta, silenciosa que gostava mais de ouvir do que de falar mas que, ocasionalmente, nos surpreendia com grandes gargalhadas e gestos de ternura.

Apesar da sua habitual timidez, a tia Heloísa gostava de representar e tinha imenso jeito, prestando-se por isso a todas as aventuras da minha avó no campo do Teatro. Lembro-me, também, que era ela a responsável pela busca, selecção e exposição permanente das peças de artesanato que, vendidas em Feiras por ela organizadas, angariavam receitas que revertiam para os Parques Infantis.

Era uma pessoa extraordinária mas, consultando a internet, pouco se encontra sobre esta poetisa além do seu nome completo, Maria Heloísa Fragoso de Matos Cid, da data e local de nascimento, dia 16 de Março de 1908 em Oliveira do Hospital, Coimbra, Portugal e de que é filha de Augusto Lopes de Mattos Cid e de Isaura da Costa Fragoso.


No entanto, se em vez de fazermos a busca pelo nome, a fizermos pela quadra, aparecem centenas de entradas.

 

Uma curiosidade: a famosa quadra foi escrita na sequência de um concurso lançado por António Ferro, meu avô, a que a poetisa, felizmente, aderiu. Não sei se ganhou.

 

Esta quadra ultrapassou não só a autora como também a sua restante obra literária, pouco conhecida hoje. Há casos assim…

Infelizmente, a Biblioteca da Fundação guarda apenas dois dos três títulos que Heloísa Cid publicou:

 

VIDAS CERCADAS. CONTOS: Lisboa: Editorial Império, 1946. Obra dedicada a Fernanda de Castro e a Teresa Leitão de Barros. Exemplar encadernado com dedicatória manuscrita Ao Dr. Augusto Cunha, ilustre escritor, com a muita admiração, oferece Heloísa Cid, Maio/1946. [acervo da Fundação António Quadros]

O PEQUENO SOL: Lisboa: 1967.  Conto infantil com capa e ilustrações de Inês Guerreiro. Obra dedicada "Á Nina [Marques Pereira], para que nunca esqueça o maravilhoso dom de infância que há em todos nós.". Exemplar com dedicatória manuscrita Á Fernanda com uma profunda amizade e gratidão por me ter obrigado a trabalhar e a publicar este livro. Um grande abraço da Heloísa. Dezembro de 1967. [acervo da Fundação António Quadros]

SINFONIA INCOMPLETA. VERSOS: Lisboa: Parceria António Maria Pereira, [s.d.].

[obra que, infelizmente, não existe no acervo da Fundação]

  

A História de um Filme, 60 Anos depois: Rapsódia Portuguesa,

por Fernanda de Castro e Mafalda Ferro.

Durante a Exposição Internacional de Paris de 1937, o casal Fernanda de Castro e António Ferro proferiu nessa cidade, na Casa de Portugal, uma conferência dialogada a que chamaram Rapsodie Portugaise. Na imagem: da esquerda para a direita: Luc Durtain, Ronald de Carvalho, António Ferro, Ferreira dos Santos, Fernanda de Castro, Wanda Landovska e Etienne Rey.

 

AFNós dois vamos fazer uma conferência dialogada e ilustrada sobre Portugal, com um número de variedades referente a cada uma das nossas províncias.

FCNós dois! Em francês?! Estás doido! Comigo não contes!

AFPorquê? A conferência vai chamar-se Rapsódia Portuguesa, e trata de assuntos que muito bem conhecemos. O nosso francês não será o da Comédie-Française mas, sobretudo tu, tu falas sem accent e sem a menor dificuldade. A minha pronúncia é pior, mas suficientemente boa para que todos me entendam. A conferência será ilustrada por artistas e agrupamentos que já escolhi. Lisboa será representada pelo fado. O Alentejo pelo coral de Serpa. O Algarve por um corridinho. Mirita Casimiro cantará canções da Beira Alta. Francis e Ruth dançarão o fado com coreografia do Francis, etc., etc. [Fernanda de Castro, em Ao Fim da Memória I]

 

Depois da morte do marido, Fernanda de Castro decidiu em sua homenagem escrever o argumento para um filme / documentário de longa-metragem com o mesmo nome da referida conferência e, se bem o pensou, melhor o fez: «Rapsódia Portuguesa» estreou no dia 30 de Março de 1959, há 60 anos, no Cinema Tivoli com participantes e colaboradores de luxo:

 

FICHA TÉCNICA

Argumento: Fernanda de Castro, segundo ideia original de António Ferro.

Esquema narrativo e produção: Filipe de Solms. Narração: Pedro Moutinho.

Realização: João Mendes. Assistente de Realização: Francisco Hipólito Raposo.

Direcção Musical: Silva Pereira.

Recolha de canções folclóricas: Shegundo Galarza.

Música: Luís de Freitas Branco; Viana da Mota; Silva Pereira e Ruy Coelho.

Fotografia: Mário Moreira. Duração: 87m.

Elenco: Coros do Teatro Nacional de São Carlos e, Feminino da Emissora Nacional; Grupos das regiões de Minho, Beira Baixa, Trás-os-Montes, Algarve, Ribatejo, Lisboa e Nazaré. Canções interpretadas por: Maria de Lurdes Resende, Natalina Bizarro, Domingos Marques, Maria de Fátima Bravo, Carlos Ramos, Maria Clara, Alice Amaro e Machado Soares.

Consultores: Bernardo Marques (artístico); António Mourinho, José Lopo Feijó, Guilherme Ramos, Azinhal Abelho e Sales Viana (regionais).

 

Curiosidades sobre Rapsódia Portuguesa

- O vestido usado por Fernanda de Castro na conferência de Paris em 1937 está guardado na Fundação António Quadros:

- Foi o 1.º filme português feito em cinemascope;

- As filmagens duraram cerca de dois anos;

- Foi patrocinado pelo SNI e produzido pela Tóbis Portuguesa;

- Custou 3.500 contos [DN, 3-5-1959];

- Foi selecionado para, no dia 1 de Maio de 1959, representar Portugal no Festival Internacional do Filme em Cannes competindo com mais 26 países.

- Recebeu os Prémios: Grande Prémio do SNI (troféu em prata, de Álvaro de Brée); Medalha de Prata no Festival Internacional de Cinema Documental e Curtas Metragens de Bilbao.

- Paulo Ferreira foi o autor da monografia de divulgação do filme em Paris.

- Outras apresentações conhecidas: 1960 – Casa de Portugal, em Paris; 1960 – Teatro Micaelense, Ilha de São Miguel, Ponta Delgada, Açores; 1964 – II Festival do Algarve, produzido por Fernanda de Castro, em Faro e em Tavira.

- Silva Pereira, director musical do filme, é pai de um grande "Amigo da Fundação António Quadros".

 

O filme agradou e esteve por um triz para ganhar o primeiro prémio no Festival de Cannes. Aconteceram duas coisas que naquele momento eram absolutamente proibidas pelo regulamento do Festival: quando a Rapsódia Portuguesa acabou, o público premiou-a com uma grande salva de palmas e dois membros do júri felicitaram calorosamente João Mendes. [Fernanda de Castro, em Ao Fim da Memória II]

 

LIVRARIA ANTÓNIO QUADROS, Promoção do Mês:

Autoria: Fernanda de Castro.

Título: Tudo é Princípio.

Edição – Círculo de Leitores, 2007.

PVP até 14 de Junho de 2019: 18€ - PVP a partir de 14 de Junho de 2019: 30€.

 

AMIGO DA FUNDAÇÃO ANTÓNIO QUADROS:
Se ainda não o fez, e se puder, por favor, efectue, como de costume, a transferência relativa ao seu contributo financeiro:


TRANSFERÊNCIA BANCÁRIA
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